domingo, 31 de janeiro de 2010

Serviço Secreto da PM de Santa Catarina cria clima de terror contra movimentos populares. Ações lembram ensinamentos da polícia da ditadura militar.

A edição de hoje do jornal Diário de Santa Catarina (confira abaixo) é um exemplo do uso político da P2 – serviço secreto da Polícia Militar, É incrível – mas até agente infiltrado em um movimento legal existe. A presença destes agentes (a paisano) é citada como exemplo de testemunha do que se discutia em reuniões abertas. As bandeiras do MST são mostradas como troféus de captura de material clandestino. É (quase) o fim do mundo.
Na entrevista ao Jornal a promotora Nádea Bissoli, o major Hoffmann (comandante da Policia Militar que coordenou a operação) e os Juízes Welton Rubenichi e Fernado Seara Hickel se contradizem em suas declarações. No relato que fazem até dois moradores da região tinham sido recrutados como “agentes” para informar a PM sobre as reuniões públicas do MST. Só vi isto antes na época do regime militar, quando nossos partidos eram infiltrados pela polícia.
Não é possível calar. Não temos o direito de calar. Logo em um estado em que o vice-governador, o Sr Leonel Pavan (PSDB para variar) é denunciado por uma série de crimes (estes sim, muito graves). Não vi nenhum PM, nenhum juiz, nenhum promotor mandar prender o Sr Pavan, que denunciado continua no exercício do cargo. Segue abaixo texto integral do Diário de Santa Catarina:



PRISÕES NO MST
Guerra de versões

A semana terminou sem aquela que, de acordo com a Polícia Militar (PM), o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e o Judiciário, seria a principal investida do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na região Sul de Santa Catarina. Uma investigação seguida de prisões teria impedido invasões de áreas públicas em Imbituba. Mas, como é comum neste tipo de episódio, a guerra de versões e motivações ganha tanta visibilidade quanto a operação policial em si. Enquanto os representantes do Poder Público garantem ter agido dentro da lei e em defesa da sociedade, o MST questiona principalmente a prisão do seu principal líder, Altair Lavratti. Representantes do movimento desafiam as autoridades a mostrarem provas como áudios e vídeos que afirmam ter e que deram base às prisões. As autoridades usam argumentos como o segredo judicial para não exibirem as evidências que asseguram ter. O DC revela detalhes do episódio mais turbulento da semana no Estado.

Lavratti e a “cilada”

Os responsáveis pela investigação afirmam que o MST pretendia ganhar visibilidade em Imbituba ao invadir a abandonada Zona de Processamento e Exportações (ZPE) ou o terreno do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os acusados afirmam ter sido vazio e superficial o trabalho desenvolvido pela investigação policial. Um dos questionamentos diz respeito à prisão de Altair Lavratti.

Coordenador do MST em SC, bacharel em Direito e assessor do deputado estadual padre Pedro Baldissera (PT), Lavratti foi preso numa cena em que a maioria dos presentes eram policiais militares. Dos oito que estavam no local além dele, seis eram os chamados P-2 (PMs à paisana). Outras duas pessoas eram da comunidade, mas também estavam a serviço da PM. Ou seja, sabiam da intenção da operação em prender os participantes do MST e simulavam estar ao lado do movimento.

Para o comandante da PM em Imbituba, major Evaldo Hoffmann, a infiltração dos policiais e informantes faz parte da investigação sigilosa que descobriu a reunião de pessoas para praticar atos ilícitos. No entendimento do oficial, ficou demonstrado que o grupo faria pagamentos de R$ 2 mil para cada 10 famílias recrutadas para a invasão. O policial avalia que também ficou evidente a formação de quadrilha para prática de incitação à violência, dano e retirada à força da posse de um bem imóvel. Dos três presos, dois não são de Imbituba, mas estavam na cidade quando a PM cumpriu os mandados.

Militantes do MST e o próprio Lavratti enxergam motivação política por trás da prisão do grupo – três pessoas ligadas ao MST estão presas e uma quarta está foragida. O major nega ato político ou atitude para criminalizar movimentos sociais.

Grampos resumidos

Coube à PM de Imbituba e ao Ministério Público a análise dos grampos telefônicos autorizados pela Justiça. O conteúdo está em sigilo judicial e não foi divulgado. Nos relatórios da PM a que o DC teve acesso, há poucas menções objetivas sobre os diálogos.

As conversas aparecem de forma resumida e não são transcritas conforme aconteceram.

Para Lucídio Ravanello, da coordenação estadual do MST/SC, há necessidade de se mostrar os supostos diálogos incriminadores. Na avaliação dele, a situação foi forjada, inventada, principalmente no que se refere ao suposto prêmio em dinheiro que seria dado às famílias e aos arregimentadores.

Na maior parte dos diálogos dos relatórios, o interlocutor é Dilson Ramos, dirigente do Sindicato dos Mineradores de Criciúma, e não Altair Lavratti. A investigação começou por Dilson, mas o foco no final acabou sendo o coordenador do movimento.

Na decisão do juiz de Imbituba Welton Rubenich sobre as prisões preventivas, também não há transcrição das interceptações telefônicas. O juiz não quis dar entrevista sobre o assunto.

Sindicato paulista

Os integrantes da força-tarefa enfatizaram que os líderes do MST faziam reuniões e andavam em Imbituba para combinar as invasões. A PM diz que as famílias eram orientadas a portar armas no momento da invasão. Afirma ter provas em vídeo mas não as mostrou.

Outro fato do qual a PM se diz convicta é o apoio do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados de São Paulo ao movimento. A sede do sindicato foi inaugurada recentemente com participação do presidente Lula e da ministra Dilma Rousseff.

O líder Altair Lavratti teria sido filmado andando em Imbituba no Celta com placas de Florianópolis, de uma locadora do Bairro Estreito, na Capital.

O major Hoffmann garante que a locação do veículo foi paga pelo sindicato paulista, mas admite ter extraído esta conclusão de um contato informal de PMs com a locadora. O DC procurou a empresa na Capital, mas um funcionário disse que só pode fornecer para clientes os dados sobre locações.

diogo.vargas@diario.com.br
DIOGO VARGAS


Fonte: http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a2794561.xml&template=3898.dwt&edition=14007§ion=846

sábado, 30 de janeiro de 2010

Igreja Católica critica forma como ocorreram as prisões de dirigentes do MST

Através da sua Pastoral da Terra a Igreja Católica criticou a forma como ocorreram as prisões de dirigentes do MST. Em nota divulga a Pastral manifesta seu estranhamento ante a disparidade como o presidente do STF, Gilmar Mendes se manifestou na prisão do banqueiro Daniel Dantas e a ausência de um pronunciamento agora, na arbritrária prisão de Miguel Serpa do MST. Veja os principais pontos da nota da Pastoral:

A CPT (Comissão Pastoral da Terra) criticou, em nota divulgada nesta sexta-feira, as "autoridades do Judiciário" por elas não terem se manifestado sobre a "espetacularização" da prisão de sem-terra envolvidos na invasão, em 2009, de uma fazenda da Cutrale, em Iaras (SP).

A CPT, braço agrário da Igreja Católica, diz que esse tratamento difere do dado às prisões feitas durante a Operação Satiagraha, da Polícia Federal, em 2008, quando o banqueiro Daniel Dantas foi algemado.

À época, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, disse que esse tipo de tratamento expunha excessivamente os presos. A Corte acabou limitando o uso de algemas a casos "excepcionais".

"A imagem de Miguel Serpa [líder do MST] algemado foi estampada nos jornais e veiculada nos noticiários dos canais de televisão brasileiros", diz o texto. "Onde estão o presidente do STF, Gilmar Mendes, e os demais ministros do Supremo e os políticos tão ciosos da preservação da dignidade humana? Por acaso se ouviu da parte deles a condenação do abuso da ação policial na prisão dos trabalhadores?", questiona a CPT.

"O que é mais grave, a destruição de alguns pés de laranja ou o assalto aos cofres públicos? Na interpretação das mais altas autoridades do Judiciário, quem desvia recursos públicos, quem se locupleta com os bens da nação, merece um tratamento cuidadoso, pois sua dignidade não pode ser arranhada", afirma a nota.

Ao final da tarde de hoje, a reportagem não conseguiu localizar Mendes para comentar o texto


Fonte:Agência Folha

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Vox Populi aponta crescimento de Dilma Rousseff

São Paulo, 29 jan (EFE).- A ministra Dilma Roussef (PT), favorita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ser a candidata do governo nas eleições de outubro, ganhou 9 pontos percentuais na última pesquisa realizada pela Vox Populi.

Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil, aparece com 27% das intenções de voto, embora ainda esteja distante do governador de São Paulo, José Serra, quem com 34% segue em primeiro lugar na pesquisa.

Na pesquisa anterior do Vox Populi, publicada em dezembro, apontava um cenário no qual Serra obteria 39% dos votos contra 18% de Rousseff.

Até agora, nem a ministra, nem o governador foram declarados oficialmente candidatos de suas respectivas forças políticas, o Partido dos Trabalhadores e o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).

Entre os outros pré-candidatos, a senadora e ex-ministra Marina Silva (6%) aparece em quarto lugar, atrás do deputado federal Ciro Gomes (11%), aliado do governo Lula.

A pesquisa também traça um cenário sem Gomes na disputa, e, em tal caso, atribui 38% a Serra e 29% a Rousseff, que sairia derrotada pelo governador por 46% a 35% em um hipotético segundo turno.

Na eleição de outubro, Lula, que goza de altos níveis de popularidade, não poderá ser candidato, pois já foi reeleito no pleito de 2006 e a Constituição impede concorrer ao terceiro mandato consecutivo.

fonte:http://ultimosegundo.ig.com.br/

OS DESAFIOS DA ESQUERDA MUNDIAL - Confira os debates

O site http://criseoportunidade.wordpress.com/ está publicando uma série de documentos resultante das palestras e debates apresentados no Fórum Social Mundial Temático em Salvador.
Vale a pena conhecer estas publicações. Um bom exemplo é o artigo de Antonio Martins. Confira:

Da grande implosão às alternativas – Quatro hípoteses provocadoras (Antonio Martins)

Por Antonio Martins, janeiro de 2010

O abrandamento da crise está deixando perplexa parte da sociedade civil planetária. Este sentimento indica que é preciso repensar nossos conceitos sobre a superação do capitalismo

Um fantasma assombra a esquerda e os movimentos sociais, especialmente na Europa: o pavor de fracassar, diante de uma oportunidade história. No último Fórum Social Mundial, em janeiro de 2009 (em Belém, Amazônia brasileira), parte da sociedade civil sonhou alto. A crise global do capitalismo, então em sua fase mais dramática, foi vista por muitos como um sinal de que o sistema poderia desabar sobre si mesmo. Os mercados financeiros haviam dominado tão completamente o mundo da politica que seria impossível restabelecer controle sobre eles – exceto com mudanças políticas muito profundas. Mesmo instituições recém-criadas, como o G20, tenderiam a se mostrar impotentes – ou, pior, tentariam jogar o peso da crise sobre as costas das sociedades. A única hipótese humanizadora seria uma mobilação inédita das sociedades, com milhões de pessoas nas ruas contra a tirania dos mercados. Como tais previsões não se confirmaram – e como crescem, na Europa, as tendências políticas e sociais ao conservadorismo e à ultra-direita – os que apostaram nelas parecem desanimados e confusos.

Este artigo lança, como provocação, quatro hipóteses contra tal pessimismo. Elas argumentam, em seu conjunto, que não há base real para este sentimento: ele é provocado por uma atitude conservadora. Embora tenha havido enormes transformações na sociedade e na política, nas últimas décadas, parte dos que lutam por um mundo novo continua se orientando por projetos e posturas que faziam sentido nos séculos 19 e 20 – mas hoje conduzem à impotência. Em cenários assim, o pessimismo equivale a uma cilada perfeita e circular. Ao produzir uma visão ilusória da realidade, ele torna inefetivas nossas ações. Esta ausência leva a desperdiçar as oportunidades existentes – e gera, naturalmente, mais desencanto e inação. Não será, portanto, possível reverter o ciclo enquanto persistirem as concepções deformadoras


Fonte: http://criseoportunidade.wordpress.com/

FORUM SOCIAL TEMÁTICO NA BAHIA DISCUTE DEMOCRACIA DIRETA

A partir de hoje (29/1), até o dia 31 de janeiro, Salvador sediará o Fórum Social Mundial Temático da Bahia (FSMT-BA). O evento dá prosseguimento à série de fóruns que será realizada ao longo do ano para preparar as discussões do Fórum Social Mundial 2011, em Dacar (Senegal).

O FSMT-BA fará uma ponte entre a Bahia e Dacar, construindo agendas políticas de respostas à crise em seus diferentes aspectos.

O presidente Lula havia confirmado presença no 30, mas teve que suspender a sua participação por conta de problemas de saúde.

Soluções e propostas para crise serão debatidas em seminário

Entre as principais atividades do Fórum Social Mundial Temático da Bahia (FSMT-BA) está o seminário Crise e Oportunidade. O evento reunirá intelectuais e representantes dos movimentos sociais para discutir caminhos para chegarmos a soluções como o equilíbrio ambiental, a redução da desigualdade, a inclusão produtiva e a mudança do perfil dos processos produtivos.

No primeiro dia do evento as discussões da manhã serão concentradas no tema Sul como alternativa. Na parte da tarde, uma mesa redonda vai reunir quase trinta pessoas num grande debate sobre as diferentes faces da crise. Á noite, Susan George, intelectual reconhecida internacionalmente por suas críticas à globalização corporativa e por seus livros sobre a fome, o desenvolvimento e a dívida dos países ricos, fará a abertura oficial do Fórum.

A convergência das crises e O processo de desenvolvimento são os temas das mesas do dia 30. O encerramento (dia 31) será com o painel Estratégias de governaça. Confira a programação completa com endereço e horário das atividades no http://criseoportunidade.wordpress.com/.

Crise civilizatória pautará todas discussões, apesar da diversidade de temas

No primeiro dia, os debates do FSMT-BA serão conduzidos pelos seguintes eixos temáticos: Mulher: Crise econômica e emancipação; Reforma Agrária, Agricultura familiar e Racismo e institucionalidade; Sul como alternativa; Mídia e Democracia; Direitos Humanos no século XXI e as questões dos desaparecidos políticos; Mudanças Climáticas pós-Copenhagen; e Soberania Energética.

Os temas do dia 30 serão: Convergência das crises; Descolonização do pensamento na América Latina e África, Crise e Trabalho e Governança; e Paz Mundial. No mesmo dia, o Chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, participará de um debate sobre desenvolvimento econômico, com o presidente da CUT, Artur Henrique da Silva Santos e os professores Tânia Bacelar e Ladislau Dowbor.

No último dia do evento (31/1), as discussões serão sobre Estratégia de Governança; A esquerda hoje e as contribuições dos pensadores da América Latina e África; Violência nas periferias urbanas e ameaça à democracia; e Fobias, intolerância e lógica igualitária.

Confira a programação completa em http://www.fsmtbahia.com.br/novo/lista.php?QID=5

DENÚNCIA: PROVOCAÇÕES DO CONSÓRCIO PSDB-DEM TENTAM DESESTABILIZAR O PAÍS

Está em marcha por todo o país, onde a Polícia Militar está sob o comando do consórcio PSDB-DEM, uma tentativa de desestabilizar o clima institucional do Brasil. Todas as ações são orquestradas. A mais notória delas é o uso da Polícia Militar dos estados como Polícia Política: lideranças sindicais mais combatentes, ligadas aos trabalhadores rurais, estão sendo perseguidas e presas por todo o país. O (pseudo) “argumento” é que estes trabalhadores são criminosos. Suas reuniões abertas, realizadas em locais públicos, têm sido gravadas e, depois de editadas, colocadas na chamada grande mídia como o claro objetivo de criminalizar os movimentos populares. As conversas de seus líderes, realizadas em telefones convencionais, estão sendo gravadas e, da mesma forma, depois de editadas usadas como instrumento de acusação contra movimentos legítimos. A provocação é tão grosseira que a ação legítima de ocupação de terras improdutivas pelo MST é transformada em crime pela polícia política do Serra e companhia. Conforme me informou uma fonte do movimento sindical estas ações tiveram início depois que pesquisas do Instituto Vox Pópuli (apenas parcialmente divulgadas ) mostraram o grande avanço da candidata Dilma na preferência dos eleitores em relação ao governador Serra, de São Paulo. As Centrais Sindicais, democrática, estão se reunindo com os sindicatos das categorias mais perseguidas para organizar uma um plano de defesa e não deixar os trabalhadores a mercê da truculência desta Polícia Política Estadual. Hoje diversas lideranças estarão reunidas no Sindicato dos Bancários de Santa Catarina para avaliar melhor o clima de ameaças. Não é a primeira vez que a direita raivosa usa expedientes ilegais para criar clima de terror no país em períodos pré-eleitorais. Este Blog hipoteca total solidariedade aos movimentos populares organizados, ao povo brasileiro e a todos aqueles que sofreram e sofrem agora perseguições na defesa da democracia.


Frederico Drummond
Professor de filosofia

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Polícia do Serra tenta criminalizar movimentos populares.

Enquanto a rede Globo teima em dar apenas uma versão dos fatos quanto fala do embate Cutrale X MST, este Blog manifesta sua solidariedade aos movimentos populares e repercute outra versão do conflito. Nos últimos 10 dias a GLOBO sistematicamente pauta matérias com uma clara visão de minar a popularidade do presidente Lula. A GLOBO mais uma vez arma suas conspirações contra um governo constitucional. Tenta confundir a opinião pública. Divulga a idéia, juntamente com o Estadão (jornal Estado de São Paulo) de que o Programa Nacional de Direitos Humanos constitui "um ambicioso plano para a implantação de um regime autoritário no Brasil, patrocinado pelo Presidente Lula. A Globo e o Estadão confundem a opinião pública quando misturam a situação da Bolívia com a de Honduras.
Enfim a direita destila seu veneno quando sente que está perdendo terreno. A recente crise do capitalismo mostrou isto. Com um agravante: ninguém consegue apostar no desenho futuro que emerge da China. Mas vale o alerta: uma tentativa golpista de direita está em curso. Quem tem ouvidos de ouvir, que ouça.


Vamos por partes:

1. Joaquim Nabuco, O Abolicionista, dizia que a Abolição da Escravatura era indissociável da democratização do solo pátrio. Monarquistas e republicanos não lhe deram ouvidos e assim legitimou-se a concentração de terras brasileiras nas mãos de poucos.

2. - o Brasil é o país com a maior concentração da propriedade da terra do mundo. Menos de 15 mil latifundiários detêm fazendas acima de 2,5 mil hectares e possuem 98 milhões de hectares. Cerca de 1% de todos os proprietários controla 46% das terras. (Censo 2006)

3. - há uma lei de Reforma Agrária para corrigir essa distorção histórica. No entanto, as leis a favor do povo somente funcionam com pressão popular. O MST pressiona por meio da ocupação de latifúndios improdutivos e grandes propriedades, que não cumprem a função social, como determina a Constituição de 1988. A Constituição Federal estabelece também que devem ser desapropriadas propriedades que estão abaixo da produtividade, não respeitam o ambiente, não respeitam os direitos trabalhistas e são usadas para contrabando ou cultivo de drogas.

4. o laranjal da Cutrale, que foi invadido pelo MST, localiza-se no centro-oeste do estado de São Paulo, entre os municípios de Iaras, Borebi, Agudos, Lençóis Paulistas e Águas de Santa Bárbara, é irregular, uma ocupação do patrimônio público por parte da “família Cutrale”.

5. Milhares de processos estão travados na justiça emperrando as desapropriações para fins de reforma agrária e deixando sem solução os crimes do latifúndio e de sua pistolagem - entre eles o da Cutrale.

6. a fazenda de 2.400 hectares da Cutrale situa-se numa área de 50 mil hectares – a área destruída pelo MST foi de 2 hectares.

7. Os inimigos da Reforma Agrária querem transformar os episódios que aconteceram na fazenda grilada pela Cutrale para criminalizar o MST, os movimentos sociais, impedir a Reforma Agrária e proteger os interesses do agronegócio e dos que controlam a terra.

E sempre é bom lembrar:

antes da Abolição, a rebeldia dos escravos (que lutavam e fugiam) escandalizava a sociedade, mas o açoite neles não.

Mais informações:
Cutrale no Wikipédia - http://pt.wikipedia.org/wiki/Cutrale
Cutrale Oficial - http://www.cutrale.com.br/cutraleHome/
MST Oficial - http://www.mst.org.br/
MST no Wikipédia - http://pt.wikipedia.org/wiki/Mst
Incra de SP diz que fazenda da Cutrale está em área da União
Escândalos invisíveis - Osvaldo Russo
Esclarecimentos do MST sobre últimos episódios
Cutrale usa terras griladas em São Paulo
MST e laranjas


Fonte: http://talodabrabera.blogspot.com/2009/10/mst-versus-cutrale-alguns-fatos.html

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

VOZES D'ÁFRICA - COMPAIXÃO, PAI, PARA OS QUE SOFREM!

Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?
Em que mundo, em qu'estrela tu t'escondes
Embuçado nos céus?
Há dois mil anos te mandei meu grito,
Que embalde desde então corre o infinito...
Onde estás, Senhor Deus?...

Qual Prometeu tu me amarraste um dia
Do deserto na rubra penedia
— Infinito: galé!...
Por abutre — me deste o sol candente,
E a terra de Suez — foi a corrente
Que me ligaste ao pé...

O cavalo estafado do Beduíno
Sob a vergasta tomba ressupino
E morre no areal.
Minha garupa sangra, a dor poreja,
Quando o chicote do simoun dardeja
O teu braço eternal.

Minhas irmãs são belas, são ditosas...
Dorme a Ásia nas sombras voluptuosas
Dos haréns do Sultão.
Ou no dorso dos brancos elefantes
Embala-se coberta de brilhantes
Nas plagas do Hindustão.

Por tenda tem os cimos do Himalaia...
Ganges amoroso beija a praia
Coberta de corais ...
A brisa de Misora o céu inflama;
E ela dorme nos templos do Deus Brama,
— Pagodes colossais...

A Europa é sempre Europa, a gloriosa!...
A mulher deslumbrante e caprichosa,
Rainha e cortesã.
Artista — corta o mármor de Carrara;
Poetisa — tange os hinos de Ferrara,
No glorioso afã!...

Sempre a láurea lhe cabe no litígio...
Ora uma c'roa, ora o barrete frígio
Enflora-lhe a cerviz.
Universo após ela — doudo amante
Segue cativo o passo delirante
Da grande meretriz.
....................................

Mas eu, Senhor!... Eu triste abandonada
Em meio das areias esgarrada,
Perdida marcho em vão!
Se choro... bebe o pranto a areia ardente;
talvez... p'ra que meu pranto, ó Deus clemente!
Não descubras no chão...

E nem tenho uma sombra de floresta...
Para cobrir-me nem um templo resta
No solo abrasador...
Quando subo às Pirâmides do Egito
Embalde aos quatro céus chorando grito:
"Abriga-me, Senhor!..."

Como o profeta em cinza a fronte envolve,
Velo a cabeça no areal que volve
O siroco feroz...
Quando eu passo no Saara amortalhada...
Ai! dizem: "Lá vai África embuçada
No seu branco albornoz... "

Nem vêem que o deserto é meu sudário,
Que o silêncio campeia solitário
Por sobre o peito meu.
Lá no solo onde o cardo apenas medra
Boceja a Esfinge colossal de pedra
Fitando o morno céu.

De Tebas nas colunas derrocadas
As cegonhas espiam debruçadas
O horizonte sem fim ...
Onde branqueia a caravana errante,
E o camelo monótono, arquejante
Que desce de Efraim
.......................................

Não basta inda de dor, ó Deus terrível?!
É, pois, teu peito eterno, inexaurível
De vingança e rancor?...
E que é que fiz, Senhor? que torvo crime
Eu cometi jamais que assim me oprime
Teu gládio vingador?!
........................................

Foi depois do dilúvio... um viadante,
Negro, sombrio, pálido, arquejante,
Descia do Arará...
E eu disse ao peregrino fulminado:
"Cam! ... serás meu esposo bem-amado...
— Serei tua Eloá. . . "

Desde este dia o vento da desgraça
Por meus cabelos ululando passa
O anátema cruel.
As tribos erram do areal nas vagas,
E o nômade faminto corta as plagas
No rápido corcel.

Vi a ciência desertar do Egito...
Vi meu povo seguir — Judeu maldito —
Trilho de perdição.
Depois vi minha prole desgraçada
Pelas garras d'Europa — arrebatada —
Amestrado falcão! ...

Cristo! embalde morreste sobre um monte
Teu sangue não lavou de minha fronte
A mancha original.
Ainda hoje são, por fado adverso,
Meus filhos — alimária do universo,
Eu — pasto universal...

Hoje em meu sangue a América se nutre
Condor que transformara-se em abutre,
Ave da escravidão,
Ela juntou-se às mais... irmã traidora
Qual de José os vis irmãos outrora
Venderam seu irmão.

Basta, Senhor! De teu potente braço
Role através dos astros e do espaço
Perdão p'ra os crimes meus!
Há dois mil anos eu soluço um grito...
escuta o brado meu lá no infinito,
Meu Deus! Senhor, meu Deus!!...

Castro Alves
São Paulo, 11 de junho de 1868

Assim é, se lhe parece! Reflexões

No começo da década de 70 participávamos de um seminário no Centro Acadêmico de Ciências Sociais na USP e claramente conseguíamos distinguir três grupos de opinião. Um formado por todas as tendências próximas do pensamento marxista (os ativistas europeus, passando depois por Mao e indo a Che - sem excluir a Teologia da Libertação); o segundo grupo identificava-se como o existencialismo de Sartre (o Sartre ativista) e podíamos identificar admiradores de Bertrand Russel ("Três paixões, simples mas irresistivelmente fortes, governam minha vida: o desejo imenso de amar, a procura do conhecimento e a insuportável compaixão pelo sofrimento da humanidade."B. Russel), os bicho grilo de McLuhan e outros menos notórios. Entre os existencialistas alguns se aproximavam mais de Nietzsche. Naquele meio, marcadamente politizado e ideologizado mostrar admiração por Nietzsche era uma afronta. Neste ambiente o que nos ficou foi um legado ambivalente: um filósofo nos qual se apoiavam todos os que buscavam saídas no niilismo, no pessimismo e no individualismo. E é este o legado que ficou. Mas há um segundo legado: a contribuição de Nietzsche para a teoria psicanalítica. É curioso que hoje, ao lê-lo, vejo em seus conceitos mais metáforas do que uma visão sociológica do poder, da ideologia e da privação da liberdade. O que é por exemplo Vontade de Poder? Vontade pode se equivaler a desejo? “Super Homem” pode ser visto como Meta-homem? Como um arquétipo de uma humanidade amadurecida? As respostas se embaraçam e não consigo construir qualquer juízo sobre o padrão ético que emerge do pensamento de Nietzsche. Assim é!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Lula receberá prêmio de 'estadista global' na 40ª edição de Davos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberá na próxima sexta-feira o prêmio especial de "estadista global", criado pelo Fórum Econômico Mundial de Davos (WEF) para sua 40ª edição, indicou a fundação com sede na Suíça.

"Para marcar este 40º aniversário, o Fórum Econômico Mundial concederá um prêmio especial de estadista global em Davos. O prêmio homenageará o líder político que utilizou seu mandato para melhorar a situação do mundo", ressaltou o WEF ao ser consultado a respeito do tema pela AFP.

"O ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan entregará o prêmio, em nome do conselho diretor da fundação Fórum Econômico Mundial, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira, 29 de janeiro", acrescentou.

Ao analisar a escolha do chefe de Estado brasileiro, o professor Klaus Schwab, fundador do WEF, considerou que Lula "mostrou um verdadeiro compromisso com todos os setores da sociedade".

"Esse compromisso foi mantido com um crescimento econômico integrador e justiça social. Lula é um modelo de estadista global", afirmou Schwab.

A elite mundial se reúne a partir de quarta-feira em Davos com a reconstrução do devastado Haiti, a reforma do setor financeiro e a ameaçadora crise social que surge após a recessão como grandes eixos.

Para Lula, no último ano de seu segundo mandato, será a última visita como chefe de Estado brasileiro a Davos, onde chegou pela primeira vez em 2003, quando a elite que hoje o celebra pelo êxito econômico de seu país o encarava com desconfiança e suspeita por seu passado sindical.


Fonte: Notícias UOL

domingo, 24 de janeiro de 2010

Dez anos depois, "outro mundo ainda é possível", diz criador do Fórum Social Mundial

Por
Luana Lourenço
Da Agência Brasil
Em Brasília

Dez anos depois da primeira edição do Fórum Social Mundial, em 2001, a proposta de "um outro mundo possível", criada em contraposição ao avanço do neoliberalismo representado pelo Fórum Econômico de Davos ainda é atual. A análise é do empresário Oded Grajew, considerado "pai" do FSM.

"Mais do que nunca um outro mundo é possível. Há dez anos o modelo neoliberal estava no auge, o Meném [Carlos Menén, ex-presidente da Argentina] era recebido como modelo a ser seguido. Hoje o quadro político mudou, principalmente na América Latina. Vários frequentadores do fórum estão hoje nos governos", disse em entrevista à Agência Brasil.

Em dez anos, na avaliação de Grajew, o fórum conseguiu emplacar ideias que se transformaram em políticas públicas e chegou a apresentar as fórmulas para que países saíssem da crise financeira internacional. "Vários países que se salvaram da crise seguiram propostas e recomendações do fórum, como o controle do sistemas financeiro e o fortalecimento da economia no mercado interno", citou.

O legado do maior encontro de movimentos sociais do planeta também inclui a criação de "uma sociedade civil global", que fez o FSM "se espalhar pelo mundo", segundo Grajew, e garante a atuação da sociedade civil em espaços de decisão como as reuniões do G-8 e a Conferência da Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.

Uma década depois da primeira edição, Grajew reconhece que o fórum é visto com menos preconceito pela sociedade, que considerava o encontro esvaziado de propostas concretas. "Quando começou não era levado a sério, era visto com um lugar de gente que só sabe protestar. Hoje é muito mais levado a sério. Não significa que ficou menos revolucionário, as propostas são muito avançadas."

Com o enfraquecimento das políticas neoliberais, o fórum tende a concentrar as críticas e reflexões em novos temas, principalmente a sustentabilidade.

"O outro mundo possível se torna cada vez mais urgente. A questão ambiental é uma ameaça. Temos que ter outro modelo de produção, de consumo e outra relação com a natureza", lista.

Segundo Oded Grajew, entre os desafios do FSM para os próximos anos também está a necessidade de mudanças nos sistemas de financiamentos de governos.

O FSM 10 anos começa na próxima segunda-feira (25) e vai até o dia 29, com cerca de 500 atividades em Porto Alegre e em municípios da região metropolitana da capital gaúcha. A expectativa é que 30 mil pessoas passem pelo megaevento durante a semana.


Fonte: Agência UOL

sábado, 23 de janeiro de 2010

REFLEXÕES: O Dogmatismo X Ceticismo

Vou propor uma entrada neste debate a partir de uma experiência pessoal. Minhas leituras sobre o dogmatismo e sobre o ceticismo suscitavam, à medida que lia, dúvida e mais dúvidas, de tal forma eu não conseguia me satisfazer com uma determinada proposição. Então eu me deparei com uma definição de um teólogo chamado David Steindl-Rast, que expressou suas idéias em um livro intitulado “Pertencendo ao Universo – Exploração das Fronteiras da Ciência da Espiritualidade”, escrito em parceria com o físico Fritjof Capra (Editora Cultrix, São Paulo, 1991). O dogma seria um juízo assumido como verdadeiro, até o momento que fortes evidências pusessem este juízo em questão. Neste caso o dogmatismo seria antes uma estratégia, para permitir a elaboração de novos conhecimentos. Descartes,com sua noção de juízos provisórios para a moral, enquadram-se bem nesta vertente. Qual o lado sombrio desta visão: perdermos o momento de superação do dogma, gerando alguma forma de fundamentalismo. Mas aqui já podemos afirmar que nem todo dogmatismo é fundamentalista. De certo modo boa parte dos empreendimentos humanos parte de alguma forma de certeza não questionada: isto vale para a ciência, para a experiência religiosa e para a vida cotidiana. Os axiomas são verdades assumidas de per si e nem por isto a matemática deixou de evoluir. Os insights científicos (forma de conhecimento direto, não mediado pela experiência) constituem, em determinado momento, juízos não sujeitos à dúvidas.
Um cético para ser coerente com sua visão filosófica pode rejeitar juízos provisórios. Mas a própria rejeição é uma forma de juízo que pode ter forte carga dogmática. E isto nos leva a uma observação em círculo, até que o ceticismo se perceba como uma forma de fundamentalismo. Na história tais situações têm seu ápice numa forma de crise do modelo de conhecimento, também identificado como uma ruptura paradigmática.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Evolução da consciência e crise climática

Texto de:
Maurício Andrés Ribeiro*

Três anos depois de ter lançado o livro “Uma verdade Inconveniente” e o filme que ganhou o Oscar e lhe proporcionou o prêmio Nobel da paz, Al Gore lançou novo livro em 2009: “Nossa Escolha - um plano para resolver a crise climática”. Al Gore considera que há um fio comum que liga três megacrises: a de segurança, a econômica e a climática. Tal fio é a dependência de petróleo e dos combustíveis fósseis. Para ele, a solução para todas essas crises é afastar-se da dependência dos combustíveis fósseis, desenvolvendo outras fontes de energia renováveis.

Para propor soluções para a crise climática, Al Gore mobilizou mais de 30 encontros com cientistas e especialistas de vários países e áreas temáticas. Seus insights e propostas são apresentados no livro, que é uma chamada à ação: não a ação individual, mas a que interfere nos processos políticos, na elaboração de leis e regulamentos e na construção de uma infraestrutura coletiva que dê respostas à crise climática. Assim por exemplo, ele denuncia a desatualização regulatória e problemas na gestão de energia que precisam ser corrigidos com prioridade.

Em 18 capítulos, o livro trata da crise atual, das fontes e de como usamos a energia, dos sistemas vivos, dos obstáculos que precisamos superar. Capítulos específicos tratam das florestas, do solo; da população, suas demandas e impactos ambientais e climáticos.

Al Gore afirma que já temos conhecimento e tecnologia para enfrentar a crise climática, mas que falta despertar a vontade coletiva. A importância da evolução da consciência é enfatizada: “As únicas soluções efetivas e significativas para a crise climática envolvem mudanças massivas no pensamento e comportamento humanos.”

O livro mapeia três tipos de dificuldades associadas à mudança de pensamento que precisam ser superadas: em primeiro lugar, aponta que nosso cérebro foi programado para processar perigos como os que nossos antepassados precisaram enfrentar em sua luta pela sobrevivência. Entretanto, a crise climática não aciona as defesas emocionais que outros riscos despertam: ela é muito abstrata, exige muito conhecimento para ser percebida como uma ameaça, é grande demais e seu impacto parece remoto: “Seus efeitos são distribuídos pela Terra num padrão que torna difícil atribuir uma relação sem ambigüidades de causa e efeito entre o que está acontecendo com a Terra como um todo e o que está acontecendo com um indivíduo num determinado momento e lugar.” Exemplifica ele que “é como não sentíssemos a dor de uma queimadura e por isso continuamos a ser queimados sem perceber.”

Em segundo lugar, e como dificuldades adicionais para a mudança de pensamento, nossos cérebros estão estressados pela overdose de estímulos bombardeada pela propaganda, conduzida a partir da neurociência pelos marqueteiros e publicitários, “os grandes usuários da nova pesquisa do cérebro.” Estresse, ansiedade e preocupação dificultam que se focalize a mente no longo prazo necessário para lidar com a mudança climatica, e fazem com que se priorize o imediato, como ocorre com quem precisa lutar para sobreviver no dia a dia.

Uma terceira dificuldade para a mudança de pensamento é o poder dos lobbies das empresas que lucram com o petróleo e o carvão. Repetindo a estratégia de companhias de cigarro, que negavam que o cigarro fizesse mal a saúde, as empresas de petróleo também fazem campanhas milionárias e doam recursos para eleger políticos. Dúvida e controvérsia são semeadas na mente das pessoas e enfraquecem a motivação para agir de forma convergente. Uma estratégia de desinformação influencia o público, que tende a não querer acreditar que exista tal ameaça.

“O resultado de semear tais dúvidas e controvérsias é paralisar os processos políticos ou atrasá-los, no sentido de postergar ações que contrariem interesses da indústria do petróleo e do carvão.” Al Gore defende o ativismo nas bases para neutralizar essa ação financiada por interesses poderosos. Para tanto, criou uma instituição, a Aliança para a proteção climática WWW.climateprotect.org que divulga o tema na TV, rádio, internet, jornais, revistas.

Ele nos dá pistas de que investir na ecologia mental e da consciência, ecologizar a cultura e a comunicação, são abordagens estratégicas para dar respostas à crise climática, que traz consigo uma crise da evolução.

* Maurício Andrés Ribeiro é autor de Ecologizar e de Tesouros da Índia para a civilização sustentável (http://WWW.ecologizar.com.br) - mandrib@uol.com.br.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Lula conquista prêmio de Estadista Global do Fórum Econômico Mundial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conquistou o "Prêmio Estadista Global", do Fórum Econômico Mundial. Ele vai receber a premiação no próximo dia 29, em Davos (Suíça). É a primeira vez que esse prêmio é entregue nas 40 edições do fórum.

Segundo a assessora do encontro, Lucy Jay-Kennedy, a honraria irá premiar os líderes políticos que usam o seu mandato para aperfeiçoar o estado do mundo.

O ex-secretário da ONU (Organizações das Nações Unidas), Kofi Annan, irá entregar o prêmio ao presidente Lula às 11h30 (8h30 de Brasília) do dia 29 de janeiro. Depois do prêmio, Lula fará um discurso em painel que discute o Brasil.

Para o presidente-executivo do Fórum Econômico, Klaus Schwab, "o presidente do Brasil demonstrou um verdadeiro comprometimento com todos os setores da sociedade".

"Esse comprometimento tem sido de mão e mão integrando crescimento econômico e justiça social. O presidente Lula é um modelo a ser seguido pela liderança global", afirmou Klaus Schwab, em nota.

Neste ano, o fórum terá o tema "repensar, reformular, reconstruir". É esperada a presença de mais de 2.500 líderes de 90 países. "A cooperação multilateral global está no cerne da missão do fórum, para melhorar o estado do mundo", afirma Schwab, que também é fundador do encontro.

Haiti

Segundo a organização do encontro, o futuro do Haiti será uma das principais pautas. "Temos esperança de que podemos apresentar um grande esforço comum para a comunidade mundial mostrando a verdadeira cidadania corporativa global em Davos", diz Schwab.

Mais de 30 chefes de Estado e de governo estarão presentes, segundo a organização. Entre eles, estará o presidente da França, Nicolas Sarkozy, que fará o discurso de abertura.

Outros prêmios

Esse não é o primeiro prêmio internacional de Lula, que reflete o bom momento da imagem do presidente e do Brasil no exterior. No dia 24 de dezembro, o jornal "Le Monde" escolheu o presidente Lula como "Homem do Ano" de 2009. O prêmio foi criado no ano passado pelo jornal francês, que elogiou o brasileiro por dar uma nova imagem à América Latina. "Aos olhos de todos, [Lula] encarna o renascimento [...] de um gigante", afirmou o jornal.

O prêmio, explica o jornal, é resultado também da bem sucedida campanha de Lula para transformar o Brasil em ator internacional. "Diplomacia, comércio, energia, clima, imigração, espaço, droga: tudo o interessa e lhe diz respeito", disse o artigo, assinado por Jean Pierre Langellier, correspondente do jornal no Rio de Janeiro.

Também em dezembro, o jornal espanhol "El País" concedeu a Lula o prêmio de "personagem ibero-americano de 2009". O presidente ainda foi colocado pelo "Financial Times" na lista das 50 personalidades que moldaram a década de 2000. A Lula foi a única pessoa da América Latina a aparecer na lista.

Em maio, Lula recebeu um elogio público do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que durante um encontro do G-20 afirmou que "ele é o cara".


Fonte:
DANIEL RONCAGLIA
colaboração para a Folha Online

Os pecados do Haiti

A democracia haitiana nasceu há um instante. No seu breve tempo de vida, esta criatura faminta e doentia não recebeu nada senão bofetadas. Era uma recém-nascida, nos dias de festa de 1991, quando foi assassinada pela quartelada do general Raoul Cedras. Três anos mais tarde, ressuscitou. Depois de haver posto e retirado tantos ditadores militares, os Estados Unidos retiraram e puseram o presidente Jean-Bertrand Aristide, que havia sido o primeiro governante eleito por voto popular em toda a história do Haiti e que tivera a louca idéia de querer um país menos injusto.

O voto e o veto

Para apagar as pegadas da participação estadunidense na ditadura sangrenta do general Cedras, os fuzileiros navais levaram 160 mil páginas dos arquivos secretos. Aristide regressou acorrentado. Deram-lhe permissão para recuperar o governo, mas proibiram-lhe o poder. O seu sucessor, René Préval, obteve quase 90 por cento dos votos, mas mais poder do que Préval tem qualquer chefete de quarta categoria do Fundo Monetário ou do Banco Mundial, ainda que o povo haitiano não o tenha eleito com um voto sequer.

Mais do que o voto, pode o veto. Veto às reformas: cada vez que Préval, ou algum dos seus ministros, pede créditos internacionais para dar pão aos famintos, letras aos analfabetos ou terra aos camponeses, não recebe resposta, ou respondem ordenando-lhe:

- Recite a lição. E como o governo haitiano não acaba de aprender que é preciso desmantelar os poucos serviços públicos que restam, últimos pobres amparos para um dos povos mais desamparados do mundo, os professores dão o exame por perdido.

O álibi demográfico

Em fins do ano passado, quatro deputados alemães visitaram o Haiti. Mal chegaram, a miséria do povo feriu-lhes os olhos. Então o embaixador da Alemanha explicou-lhe, em Port-au-Prince, qual é o problema:

- Este é um país superpovoado, disse ele. A mulher haitiana sempre quer e o homem haitiano sempre pode.

E riu. Os deputados calaram-se. Nessa noite, um deles, Winfried Wolf, consultou os números. E comprovou que o Haiti é, com El Salvador, o país mais superpovoado das Américas, mas está tão superpovoado quanto a Alemanha: tem quase a mesma quantidade de habitantes por quilômetro quadrado.

Durante os seus dias no Haiti, o deputado Wolf não só foi golpeado pela miséria como também foi deslumbrado pela capacidade de beleza dos pintores populares. E chegou à conclusão de que o Haiti está superpovoado… de artistas.

Na realidade, o álibi demográfico é mais ou menos recente. Até há alguns anos, as potências ocidentais falavam mais claro.

A tradição racista
Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando conseguiram os seus dois objetivos: cobrar as dívidas do City Bank e abolir o artigo constitucional que proibia vender plantações aos estrangeiros. Então Robert Lansing, secretário de Estado, justificou a longa e feroz ocupação militar explicando que a raça negra é incapaz de governar-se a si própria, que tem “uma tendência inerente à vida selvagem e uma incapacidade física de civilização”. Um dos responsáveis da invasão, William Philips, havia incubado tempos antes a ideia sagaz: “Este é um povo inferior, incapaz de conservar a civilização que haviam deixado os franceses”.

O Haiti fora a pérola da coroa, a colónia mais rica da França: uma grande plantação de açúcar, com mão-de-obra escrava. No Espírito das Leis, Montesquieu havia explicado sem papas na língua: “O açúcar seria demasiado caro se os escravos não trabalhassem na sua produção. Os referidos escravos são negros desde os pés até à cabeça e têm o nariz tão achatado que é quase impossível deles ter pena. Torna-se impensável que Deus, que é um ser muito sábio, tenha posto uma alma, e sobretudo uma alma boa, num corpo inteiramente negro”.

Em contrapartida, Deus havia posto um açoite na mão do capataz. Os escravos não se distinguiam pela sua vontade de trabalhar. Os negros eram escravos por natureza e vagos também por natureza, e a natureza, cúmplice da ordem social, era obra de Deus: o escravo devia servir o amo e o amo devia castigar o escravo, que não mostrava o menor entusiasmo na hora de cumprir com o desígnio divino. Karl von Linneo, contemporâneo de Montesquieu, havia retratado o negro com precisão científica: “Vagabundo, preguiçoso, negligente, indolente e de costumes dissolutos”. Mais generosamente, outro contemporâneo, David Hume, havia comprovado que o negro “pode desenvolver certas habilidades humanas, tal como o papagaio que fala algumas palavras”.

A humilhação imperdoável
Em 1803 os negros do Haiti deram uma tremenda sova nas tropas de Napoleão Bonaparte e a Europa jamais perdoou esta humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos tinham conquistado antes a sua independência, mas meio milhão de escravos trabalhavam nas plantações de algodão e de tabaco. Jefferson, que era dono de escravos, dizia que todos os homens são iguais, mas também dizia que os negros foram, são e serão inferiores.

A bandeira dos homens livres levantou-se sobre as ruínas. A terra haitiana fora devastada pela monocultura do açúcar e arrasada pelas calamidades da guerra contra a França, e um terço da população havia caído no combate. Então começou o bloqueio. A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém comprava do Haiti, ninguém vendia, ninguém reconhecia a nova nação.

O delito da dignidade

Nem sequer Simón Bolívar, que tão valente soube ser, teve a coragem de firmar o reconhecimento diplomático do país negro. Bolívar conseguiu reiniciar a sua luta pela independência americana, quando a Espanha já o havia derrotado, graças ao apoio do Haiti. O governo haitiano havia-lhe entregue sete naves e muitas armas e soldados, com a única condição de que Bolívar libertasse os escravos, uma idéia que não havia ocorrido ao Libertador. Bolívar cumpriu com este compromisso, mas depois da sua vitória, quando já governava a Grande Colômbia, deu as costas ao país que o havia salvo. E quando convocou as nações americanas à reunião do Panamá, não convidou o Haiti mas convidou a Inglaterra.

Os Estados Unidos reconheceram o Haiti apenas sessenta anos depois do fim da guerra de independência, enquanto Etienne Serres, um gênio francês da anatomia, descobria em Paris que os negros são primitivos porque têm pouca distância entre o umbigo e o pênis. A essa altura, o Haiti já estava em mãos de ditaduras militares carniceiras, que destinavam os famélicos recursos do país ao pagamento da dívida francesa. A Europa havia imposto ao Haiti a obrigação de pagar à França uma indemnização gigantesca, a modo de perda por haver cometido o delito da dignidade.

A história do assédio contra o Haiti, que nos nossos dias tem dimensões de tragédia, é também uma história do racismo na civilização ocidental.

(Carta Maior)

A questão ambiental é mais importante que o desenvolvimento econômico é a opinião de 64% dos brasileiros.

A preservação ambiental é fundamental, ainda que prejudique um pouco o crescimento econômico do Brasil. Esta é a opinião de 64% da população, de acordo com pesquisa realizada pelo IBOPE Inteligência em dezembro de 2009, a pedido da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). O estudo teve o objetivo de medir e analisar o conhecimento, o interesse e as opiniões dos brasileiros sobre questões ambientais.

Segundo os resultados, a população está interessada (61%) e preocupada (60%) com questões relacionadas ao meio ambiente. A maior parte (78%) dos entrevistados considera-se razoavelmente informada sobre o aquecimento global e julga ser o homem o principal responsável pelo fenômeno climático (75%), devido ao aumento da emissão de gases na atmosfera, à poluição e ao desmatamento.

Para 69% da população, o aquecimento global é um problema imediato, que deve ser combatido por todos, embora 50% entendam que o maior responsável pelo aquecimento global seja o conjunto dos países ricos.

Entre os principais hábitos que a população brasileira afirma já estar adotando para combater o fenômeno estão a economia de água (59% declaram economizar água como forma de reduzir o aquecimento global), de energia (50%) e adesão à coleta seletiva de lixo (41%).

Finalmente, avaliando a ação governamental no tema, 68% da população entende que o governo Lula trata com muita ou alguma importância o tema da água e do meio ambiente.

Sobre a pesquisa
Período: A pesquisa foi realizada entre os dias 4 e 8 de dezembro de 2009.
Amostra: Foram realizadas 2.002 entrevistas com brasileiros de 16 anos ou mais em 143 municípios do país.

Margem de erro: É de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, considerando um intervalo de confiança de 95%.

Fonte: IBOPE Inteligência

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Antropologia Filosófica em um debate acadêmico. Confira:

Assunto: 24/09/2008 - Fórum I
Postada por: JUAN ANTONIO ACHA (100278)

Fórum I –Sempre interessou ao homem saber quem ele é. Você considera que a pergunta “Quem é o homem?”, que impulsiona o estudo da Antropologia Filosófica equivale ou é sinônimo da pergunta: “Que é o homem?”, que motiva o estudo das ciências positivas? Você consegue explicar qual é o lugar ou função da Antropologia Filosófica.



Assunto: 25/09/2008 - E se toda antropologia por filosófica?
Postada por: FREDERICO OZANAM DRUMMOND (1007653)

"Ou seja, a antropologia filosófica é uma antropologia da essência e não das características humanas” Tenho dificuldade de aceitar esta definição. Falar de uma antropologia da essência, não distancia o sentido mesmo da antropologia como estudo da cultura humana, incluindo sua dimensão ontológica, no se fazer humano por suas regras, símbolos, tabus, relações com os pares e com a natureza ? O "Ser" humanos se processa na ruptura fundamental entre estes entes e a natureza: esta ruptura conquanto simbólica é também metafísica. O ser humano é um ser cultura.
Um fraternal abraço


Assunto: 26/09/2008 - congregando...
Postada por: WALQUIRIA TERCIA SIQUEIRA (1006295)

Caro Companheiro Drumond, congrego do seu pensar, não vejo uma divisão da antropologia, esta objetiva o homem como um todo o seu princípio, histórico,social, cultural e cognitivo.Diferente das demais ciências específicas, como a psicologia, o que concebo é que há um embasamento filosófico nas interpretações antropológicas.Wal


Assunto: 27/09/2008 - Fred...
Postada por: IEDA DO CARMO PICON (1013436)

O que fazer então?

Assunto: 02/10/2008 - Prosseguir... Ieda
Postada por: FREDERICO OZANAM DRUMMOND (1007653)

Olá Ieda,
Postei um comentário abaixo para Fernando. É uma pequena síntese do que entendo por este debate.
Mas qualquer tentativa de uma resposta conclusiva neste momento pode ser apressada.


Assunto: 28/09/2008 - Natureza e cultura
Postada por: FERNANDO DONIZETE FERREIRA (1007362)

Frederico, penso que falar da essência do homem não o distancia da cultura, pois não podemos imaginar a manifestação cultural como algo impensado ou absolutamente espontâneo.
A manifestação cultural é tudo aquilo que o homem adquire ou produz com o uso de suas faculdades, ou seja, tudo aquilo que através da ciência e da técnica de alguma maneira ele tira da natureza; enquanto aquela ação representa o produto de uma coletividade.
Portanto, se não houver um conhecimento por parte daquela comunidade que produz a cultura de quem eles são, e se não houver uma reflexão acerca do que querem transmitir com suas manifestações, estas não farão sentido.
Abraço.


Assunto: 02/10/2008 - De fato Fernando, porém...
Postada por: FREDERICO OZANAM DRUMMOND (1007653)

Então Fernando, o que estou dizendo é que a cultura humana (que se processa na história humana) é a natureza fundamental de sua essência. Desta forma porque falar de uma antropologia filosófica e não de uma metafísica antropológica? Desta forma estarei introduzindo uma reflexão de natureza ontológica no estudo da cultura humana.
O que te parece?


Assunto: 03/10/2008 - Metafísica Antropológica
Postada por: DEBORAH MARIA APARECIDA RAMOS GUELFI PERRONE (1005901)

Gostei!!!
Mas então, o que é mesmo Antropologia Filosófica?
Abs

Assunto: 04/10/2008 - O que te parece?
Postada por: LAURA RIZZI RANCOLETA (1012721)

Estou invadindo a pergunta do Fernando, o que parece?
Uma loucura Drumond....
vários conceitos complexos para se pensar:
cultura, natureza, essência, antropologia filosófica, metafísica antropológica, ontologia, cultura humana. Será que você apenas não inverte o percurso do conhecimento e do raciocínio? talvez chegaremos ao mesmo destino....


Assunto: 06/10/2008 - Minhas suspeitas...
Postada por: FREDERICO OZANAM DRUMMOND (1007653)

Laura,

1 - Theilhard Chardin, antropólogo, paleontólogo, teólogo, filósofo entre outras áreas de domínio, embora não citado em nossa apostila, constitui o que considero um dos mais importantes pensadores que refletem sob estas dimensões do humano: como filum, como cultura e co-criador divino do universo. Para Chardin a Consciência constitui o estofo de toda a criação. Ele foi considerado por alguns como Panteista, por atribuir esta dimensão do Ser como atributo essencial da vida. A consciência reflexa constitui o ponto de auto observação do Universo em sua evolução. Talvez por este caminho possamos fazer uma filosofia da cultura humana, que é também um domínio da metafísica.

2 - Mas a impressão que tenho é de que o conhecimento chamado de Antropologia Filosófica constitui um caminho privilegiado do pensamento cristão, que em alguns momentos confunde-se com a própria teologia.


Assunto: 04/10/2008 - A antropologia ela é filosófica, histórica....
Postada por: LAURA RIZZI RANCOLETA (1012721)

Então Drummond, toda antropologia é filosófica, mas entendo que enquanto filosófica, ela reflete sobre a compreensão do homem num dado momento histórico.
Então, por exemplo, o homem foi objeto de estudo na idade média: partindo de pressupostos filosóficos daquela época, ao repensarmos seus paradigmas - pois temos o distanciamento do tempo a nosso favor - temos uma amplificação das idéias do que é o homem, não temos a visão de um pensador, mas de vários, temos o contexto, etc.
Deste modo,acho importante distinguir a idéia "filosófica" corrente (como filosofia ser uma prática reflexiva ampla); do conceito de reflexão do homem que pensa sobre o que ele foi historicamente (passado), e o que ele é (presente).
No entanto, não podemos desconsiderar que ele também não é só histórico. Ele é um ser ontológico, ele busca compreender os próprios mecanismos de seu ser.Neste sentido, também pode refletir sobre as características humanas também, mas não somente.
Além de ontológico a antropologia filosófica também é metafísica, pois invade o mundo das possibilidades: e se o meu ser for um engodo? se a realidade que julgo "real" não passar de uma fantasia? se o que entendo e reconheço como atributos do homem não passarem de fantasias de minha mente?
A antropologia filosófica amplifica o conceito de homem em sua totalidade: ela pergunta - o que é o homem? (essência)- quem é o homem (abarcando outras dimensões), qual é o sentido da existência?


Assunto: 06/10/2008 - A antropologia
Postada por: JOSE CRISTOVAM MOREIRA DE SANTANA (1006860)

Frederico. De modo geral "antropologia" designa o conjunto, das ciências humanas, procurando abranger o fenômeno humano o mais globalmente possível, no conjunto das manifestações. Toda ciência é de certo modo antropologia. Não há ciência pelo homem que não seja ciência do homem, reveladora do homem. Fazer ciência é um certo modo de ser homem.
Um abraço,


Assunto: 06/10/2008 - O que é o ser cultural? Em que ele difere do ser natural?
Postada por: FREDERICO OZANAM DRUMMOND (1007653)

Prezado Cristovam,

Você é sempre muito elegante em suas reflexões. E, em geral, eu assino em baixo. Todavia, minha dúvida persiste. Vejamos:
Em que pese todas as classificações que existem para a Antropologia, hoje, o estudo desta ciência desenvolveu-se como o estudo da cultura humana e que, de forma, muito elementar, está ligada a sua estrutura simbólica: os tabus, laços de parentesco, produção artística, etc. Mas na sua origem a Antropologia teve mesmo dificuldade em definir seu objeto de investigação. Ela às vezes se confunde com a etnografia, com a paleontologia, com o estudo da evolução filo-genético dos seres humanos. Mas ainda assim veja a antropologia com sua especificidade: o estudo da cultura humana, como o fazer humano (sistema de trocas simbólicas).
Se vamos incorporar a filosofia a este domínio qual será nossa pergunta fundamental? Por exemplo: o que é isto que chamamos cultura humana, qual a essência desta cultura, qual seu traçado fenomenológico? O que é o ser cultural? Em que ele difere do ser natural? Estas seriam questões para uma antropologia filosófica. Gostaria de ouvir sua opinião, mesmo que seja no próximo fórum ou na lista.

Um forte abraço


Assunto: 06/10/2008 - Humus x Anthropos
Postada por: JOSE CRISTOVAM MOREIRA DE SANTANA (1006860)

Frederico. Aqui é apena uma reflexão pessoal. Costuma-se atribuir á palavra homem duas origens. A primeira do grego ânthropos - que significa rosto de varão -, por oposição à palavra homem enquanto o indivíduo masculino, da espécie humana, e quer dizer: que tem valor, virtude e qualidade. Nessa concepção, homem distinguiu-se dos demais seres. A segunda, do latin humus, que significa terra. A Antropologia Cultural: diz que o homem é possuidor e criador da cultura, interessando-se pelas idéias, pelas manifestações artísticas revelados no conhecimento a cerca das habilidades, das técnicas, das normas de comportamento e do modo de ser de cada comunidade; A Antropologia Filosófica: procura refletir sobre a concepção do homem das diferentes períodos da história da comunidade e nas diversas filosofias. Aqui está uma possibilidade.
Um abraço,
Pe. Cristovam

sábado, 16 de janeiro de 2010

Yoga: Uma pedagogia para a consciência corporal - 2

Relações entre Consciência Corporal e Desenvolvimento Infantil.

Ao longo do período prático da pesquisa foi dada grande ênfase a exercícios de consciência corporal, devido à importância desta no desenvolvimento da criança, justamente por tratar-se do alicerce fundamental para a construção das demais habilidades e conceitos que virão em seguida. A criança, em especial aquela portadora de deficiência mental, constrói sua inteligência por meio de experimentações concretas, que aos poucos vão sendo interiorizadas de maneira mais indireta e abstrata. Mas em um primeiro momento, a criança tem essa necessidade de contato direto e concreto com seu objeto de aprendizagem, que neste caso, é o próprio corpo.
Há uma relação de reciprocidade muito forte entre movimento e consciência corporal. É necessário desenvolver a consciência de si para que seja possível expressá-la nos movimentos do corpo, ao mesmo tempo em que os movimentos ajudam a tomar consciência de si.
Foi utilizado, como meio de avaliação, o Teste do Desenho da Figura Humana, criado em 1996, por Florence Goodenough para medir a inteligência geral, pela análise da representação da figura humana. É realizado um desenho no início e outro ao final da pesquisa, sendo então avaliados itens evolutivos e qualitativos do desenho. Os itens evolutivos consistem na divisão do corpo humano em 30 partes isoladas, sendo que a cada item presente no desenho da criança, computa-se um ponto. Quanto aos itens qualitativos, são analisados aspectos tais como altura e posição da figura, proporção, inserção das partes e perspectiva.
Esta análise nos dá um referencial sobre o conhecimento que a criança tem das partes do corpo e da relação que este corpo tem com o espaço, projetado no espaço gráfico. Todavia vários outros elementos podem ser constatados a partir do desenho, partindo-se de uma perspectiva mais psicológica, na qual são analisados outros elementos do desenho, tais como a força do traço, direção e posição do desenho, entre outros, que seguindo alguns critérios de interpretação das imagens contidas nos desenhos, podem revelar aspectos da personalidade, já que o desenho é a projeção do “Eu” e do processo que está sendo vivenciado naquele momento. Na criança, isto é mais evidente, pois ela não tem a preocupação primordial com a representação do real, ela não desenha o que vê, mas o que sabe e o que sente.
Percebe-se na análise dos desenhos que todas as crianças obtiveram aumento no número de itens corporais (maior consciência das partes do corpo), algumas obtiveram avanço de um estágio mais remoto do desenho infantil para outro mais elaborado, como por exemplo, passagem da garatuja para o estágio pré-esquemático (avanço cognitivo) e, muitas delas tornaram os traços mais harmônicos (domínio do movimento) e utilizaram melhor o espaço gráfico (conquista do espaço físico).
Quanto às contribuições da prática de Dança para este grupo de crianças, de uma maneira geral, pôde-se observar melhorias significativas nos seguintes âmbitos:
- Estabilidade emocional_ com desenvolvimento da iniciativa, prontidão, confiança, o relaxamento de tensões e redução da agressividade.
- Criatividade_ observaram-se em vários alunos a criação de movimentos próprios, que foram, aos poucos, se desprendendo dos modelos fornecidos.
- Desenvolvimento de habilidades motoras básicas_ a dança utiliza ações básicas de movimento (marcha, corrida, salto, queda, giro) importantes no desenvolvimento motor da criança, as quais foram sendo trabalhadas no decorrer das aulas, aliadas ao trabalho de ritmo e exploração do espaço.
- Relações sociais_ as crianças aprenderam a agir como membros de um grupo adquirindo noções de regras, além da observação e da relação com o movimento do outro.
- Desenvolvimento Cognitivo_ houve esse desenvolvimento por serem as atividades motoras e as experimentações concretas os fundamentos pelos quais a criança aprende sobre ela mesma e o mundo.
- Imagem Corporal_ decorrente do trabalho corporal que propicia maior contato e percepção do próprio corpo e de suas possibilidades.
- Expressão_ por fornecer a criança possibilidades corporais de exteriorização das emoções e comunicação de idéias.
Percebe-se, portanto, que a prática de Dança traz consigo contribuições reais e efetivas no desenvolvimento da criança portadora de deficiência mental, pois lhe propicia experiências de aprendizagem centradas na participação ativa de exploração do meio, as quais se dão através do movimento corpóreo, que na infância, é o principal instrumento para a construção da inteligência, portanto imprescindível ao desenvolvimento.

Frederico Drummond - Prof Filosofia

Yoga: Uma pedagogia para a consciência corporal - 1

Roteiro Para Pesquisa de Uma Didática Para Crianças com Necessidades Especiais:

Duas vivências pessoais levaram-me a pesquisa melhor os recursos do uso da expressão corporal no desenvolvimento cognitivo de criança com déficit mental:
a) Em 1997, fui aluno do curso de formação de Professores de Yoga, na Universidade de Brasília. Um dos colegas possuía um diagnóstico identificado entre as síndromes de déficit mental. Todo o grupo de alunos criou uma relação de profunda empatia, afeto e solidariedade com este colega. Após doze meses de aula ficamos com um sentimento claro que havíamos aprendido mais com este colega do que poderíamos tê-lo ensinado. Sua dedicação era singular. E aprendemos conjuntamente um novo significado para o conceito de consciência corporal.
b) Outra experiência, que acompanhei de perto, foi na área das artes cênicas. Meu irmão, que é diretor de teatro e produtor de diversas peças, desenvolveu algumas práticas de expressão corporal com crianças portadoras de Down. O resultado foi surpreendente. Mas sempre eu ficava com a pergunta: qual o alcance de tais recursos para o processo de aprendizado destas crianças?
A nossa disciplina levou-me a uma pesquisa bibliográfica sobre o tema, sobre a qual faço um pequeno resumo como se segue:
No decorrer das pesquisas e das aulas, puderam-se estabelecer algumas estratégias de ensino de Dança para deficientes mentais, em virtude de características e necessidades gerais a todo o grupo, porém sempre com o cuidado de não desrespeitar individualidades dentro deste.
Uma das estratégias adotadas foi a repetição de seqüências fixas, como por exemplo, a seqüência de exercícios de preparação, que passou a ser repetida no início de todas as aulas. Tal procedimento mostra-se eficiente, pois facilita o processo de aprendizagem da criança deficiente mental. Devido ao comprometimento cognitivo, a criança necessita de estímulos mais contínuos dos conceitos a serem assimilados. No caso do movimento, isso se torna ainda mais evidente. A cada aula, os movimentos da seqüência adotada foram gradualmente, melhor assimilados. Pela repetição, a criança refina os movimentos e explora melhor a amplitude de cada um deles, à medida que se torna mais segura do seu desempenho, já que tem experimentado o sucesso por repetidas vezes.
Outro recurso, muito eficiente, é o uso de imagens. Criar imagens, baseadas em ações concretas facilita a compreensão do movimento, pois remete a criança a uma experiência anterior que pode ser revivida pela ação do movimento proposto, como por exemplo, “lamber um sorvete” ao executar a extensão do tronco. Além de tornar a atividade mais atrativa, a imagem aproxima a relação entre o concreto e o abstrato. O deficiente mental tem grande dificuldade na abstração, necessitando sempre de ações concretas que intermedeiem este processo.
Outra estratégia é a exploração ampla e sistemática do espaço, visto que este se trata de uma extensão e um reflexo da imagem da criança do próprio corpo. Foram utilizados exercícios que conciliavam deslocamentos simples com a exploração de cada um dos três níveis espaciais (baixo, médio e alto).
No trabalho rítmico, foram utilizados ritmos simples de natureza orgânica, como por exemplo, as batidas do coração. Ritmos internos podem ser percebidos tanto pelo sentido da audição, como pela sensação tátil. Sentir e ouvir o próprio corpo são maneiras de trabalhar com dados concretos que vão sendo relacionados com a proposta rítmica da aula.
Além das estratégias mencionadas, são importantes alguns cuidados especiais quanto a algumas complicações clínicas comuns entre pessoas com deficiência mental.
• A instabilidade da articulação atlanto-axial em crianças com síndrome de Down, o que requer atenção redobrada em trabalhos de rolamentos, devendo-se também evitar movimentos bruscos com a cabeça.
• Os problemas respiratórios e as cardiopatias, também muito comuns em portadores de Síndrome de Down, devendo-se evitar, portanto, atividades extremamente exaustivas, e estar sempre orientando o trabalho de respiração e compensação das articulações e músculos trabalhados.
• Quadros de epilepsia, muito comuns em deficientes mentais, que exigem do profissional, atitudes simples, como segurar a cabeça, no caso de alguma crise convulsiva.

Frederico Drummond - prof Filosofia

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

NOTA PÚBLICA: PNDH 3 É AVANÇO NA LUTA POR DIREITOS HUMANOS

REPRODUZA E DIVULGUE O TEXTO ABAIXO:

O Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), rede que reúne cerca de 400 organizações de direitos humanos de todo o Brasil manifesta publicamente seu REPÚDIO às muitas inverdades e posições contrárias ao Programa Nacional de Direitos Humano (PNDH 3) e seu APOIO ao PNDH 3 lançado pelo governo federal no dia 21 de dezembro de 2009.
O MNDH entende que o Programa Nacional de Direitos Humanos 3 (PNDH 3) dá um passo à frente no sentido de o Estado brasileiro assumir direitos humanos em sua universalidade, interdependência e indivisibilidade como política pública; expressa avanços na efetivação dos compromissos constitucionais e internacionais com direitos humanos e resultou de amplo debate na sociedade e no governo. As reações ao PNDH estão cheias de motivações conservadoras e mostram que vários setores da sociedade brasileira ainda se recusam a tomar os direitos humanos como compromissos efetivos tanto do Estado, quanto da sociedade e de cada pessoa. É falso o antagonismo que se tenta propor ao dizer que o Programa atenta contra direitos fundamentais, visto que o que propõe tem guarida constitucional, além de se constituir no que é básico para uma democracia moderna e que quer a vida como um valor social e político para todas as pessoas, até porque, a dignidade da pessoa humana é um dos princípios fundamentais de nossa Constituição e a promoção de uma sociedade livre, justa e solidária são objetivos de nossa Carta Política.
Há setores que estranham que o Programa seja tão abrangente, trate de temas tão diversos. Ignoram que desde há muito, ao menos desde a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, direitos humanos é muito mais do que direitos civis e políticos. Vários Tratados, Pactos e Convenções internacionais articulam o que é hoje conhecido como o direito internacional dos direitos humanos, que protege direitos de várias dimensões: civis, políticos, econômicos, sociais, culturais, ambientais, de solidariedade, dos povos, entre outras. Desconhecem também que o Brasil, por ter ratificado a maior parte destes instrumentos, é obrigado a cumpri-los, inclusive por força constitucional, e que está sob avaliação dos organismos internacionais da ONU e da OEA que, por reiteradas vezes, através de seus órgãos especializados, emitem recomendações para o Estado brasileiro, entre as quais, as mais recentes são de maio de 2009 e foram emitidas pelo Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais da ONU. Aliás, não é novidade esta ampliação, visto que o Programa Nacional de Direitos Humanos 2 (PNDH II, 2002) já previa inclusive vários dos temas que agora são reeditados e a primeira versão do PNDH (1996) foi criticada e revisada exatamente por não contemplar a amplitude e complexidade que o tema dos direitos humanos exige. Por isso, além de conhecimento, um pouco de memória histórica é necessária a quem pretende informar de forma consistente à sociedade.
Em várias das manifestações e inclusive das abordagens publicadas há claro desconhecimento do que significa falar de direitos humanos. Talvez por isso é que entre as recomendações dos organismos internacionais está a necessidade de o Brasil investir em programas de educação em direitos humanos para que o conhecimento sobre eles seja ampliado pelos vários agentes sociais. Um dos temas que é abordado no PNDH 3 e que poderia merecer mais especial atenção.
O PNDH 3 resulta de amplo debate na sociedade brasileira e no governo. Fatos atestam isso! Durante o ano de 2008 foram realizadas 27 conferências estaduais que foram coroadas pela realização da 11ª Conferência Nacional de Direitos Humanos, em dezembro. Durante o ano de 2009, um grupo de trabalho coordenado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos procurou traduzir as propostas aprovadas pela Conferência no texto do PNDH 3. O MNDH e suas entidades filiadas, além de outras centenas de organizações, participaram ativamente deste processo. Outros seis meses, desde julho, o texto preliminar está disponível na internet para consulta e opinião. Internamente no governo, o fato de ter sido assinado pela maioria dos Ministérios – inclusive o Ministério da Agricultura – é expressão inequívoca do debate e da construção. É claro que, salvas as consultas, o texto publicado expressa a posição que foi pactuada pelo governo. Nem tudo o que está no PNDH 3 é o que as exigências mais avançadas da agenda popular de luta por direitos humanos esperam. Contém, sim, propostas polêmicas e, em alguns casos, não bem formuladas. Todavia, considerando que é um documento programático, ou seja, que expressa a vontade de realizar ações em várias dimensões, tem força de orientação da atuação, nos limites constitucionais e da lei, mesmo quando propõe a necessidade de revisão ou de alterações de algumas legislações. Aliás, é prerrogativa da sociedade e do poder público propor ações e modificações tanto de ordem programática quanto legal. Por isso, não deveria ser estranho que contenha propostas de modificação de algumas legislações. Assim que, alegar desconhecimento do texto ou mesmo que não foi discutido é uma postura que ignora o processo realizado. É diferente dizer que se têm divergências em relação a um ou outro ponto do texto do que dizer que o texto não foi discutido ou que não esteve disponível para conhecimento público.
O MNDH entende que as reações publicadas pela imprensa, vindas, em sua maioria de setores conservadores da sociedade, devem ser tomadas como expressão de que o PNDH 3 tocou em temas fundamentais e substantivos que fazem com que caia a máscara anti-democrática destes setores. Estas posições põem em evidência para toda a sociedade as posturas refratárias aos direitos humanos, ainda lamentavelmente tão disseminadas e que se manifestam no racismo que discrimina negros, ciganos, indígenas e outros grupos sociais, no machismo que mantém a violência contra a mulher, no patriarcalismo que violenta crianças e adolescentes, no patrimonialismo que quer o Estado a serviço de interesses e setores privados, no revanchismo de setores militares que insistem em ocultar a verdade sobre o período da ditadura militar e em inviabilizar a memória como bem público e direito individual e coletivo, na permanência da tortura mesmo que condenada pela lei, na impunidade que livra “colarinhos brancos” e condena “ladrões de margarina”, no apego à propriedade privada sem que seja cumprida a exigência constitucional de cumpra a função social, na falta de abertura para a liberdade e a diversidade religiosa que impede o cumprimento do preceito constitucional da laicidade do Estado, no elitismo que se traduz na persistência da desigualdade como uma das piores do mundo, enfim, na criminalização da juventude e da pobreza e na desmoralização e criminalização de movimentos sociais e de defensores de direitos humanos.
O MNDH também repudia a tentativa de politização eleitoral do PNDH 3. O Programa pretende ser uma política pública de Estado e não de candidato; não pertence a um partido, mas à sociedade brasileira e, portanto, não cabe torná-lo instrumento de posicionamentos maniqueístas. Não faz qualquer sentido pretender que o PNDH tenha pretensões eleitorais ou mesmo que pretenda orientar o próximo governo. Quem dera que direitos humanos tivessem chegado a tamanha importância política e fossem capazes de efetivamente ser o centro dos compromisso de qualquer candidato e de qualquer governo.
Assim, o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), reitera sua manifestação, publicada em nota no último 31/12/2009, na qual disse que “cobra uma posição do governo brasileiro que seja coerente com os compromissos constitucionais e com os compromissos internacionais com a promoção e proteção dos direitos humanos. O momento é decisivo para que o país avance para uma institucionalidade democrática que efetivamente reconheça e torne os direitos humanos conteúdo substantivo da vida cotidiana de cada um/a dos/as brasileiros e brasileiras”. Manifesta seu APOIO ao PNDH 3. Entende que o debate democrático é sempre o melhor remédio para que a sociedade possa produzir posicionamentos que sejam sempre mais coerentes e consistentes com os direitos humanos. REJEITA posições e atitudes oportunistas que, desde seu descompromisso histórico com os direitos humanos, tentam inviabilizar avanços concretos na agenda que quer a realização dos direitos humanos na vida de todas e de cada uma das brasileiras e dos brasileiros.
O MNDH também manifesta seu apoio ao ministro Paulo Vannuchi e entende que sua permanência à frente da SEDH neste momento só contribui para reforçar que o PNDH 3 veio para valer. Entende também que se alguém tem que sair do governo são aqueles ministros – entre eles Jobim e Stephanes – ou quaisquer outros prepostos que, de forma oportunista e anti-democrática vêm contribuindo para gerar as reações negativas e conservadoras ao que está proposto no PNDH 3, inclusive contribuindo para enfraquecer a posição do governo e do presidente Lula que, corajosamente e sabedor do conteúdo, assinou o PNDH 3 e o lançou com tão amplo apoio e adesão de vários ministérios do governo federal, manifestação inequívoca de que o PNDH 3 tem apoio da maioria do governo e que não serão uns poucos ministros que o derrubarão.
Em suma, como organização da sociedade civil, o MNDH está atento e envidará todos os esforços para que as conquistas democráticas avancem sem qualquer passo atrás.
Brasília, 11 de janeiro de 2010.
Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH)

domingo, 10 de janeiro de 2010

A SOLIDARIEDADE DA OAB A VANNUCHI

O presidente nacional da OAB, Cezar Britto, disse que os militares que cometeram crimes de lesa-humanidade no período da ditadura militar (1964-1985) devem ser punidos legalmente.

"Quem censurou, quem prendeu sem ordem judicial, quem cassou mandatos e quem apoiou a ditadura militar estão anistiados. No entanto, quem torturou cometeu crime de lesa-humanidade e deve ser punido pelo Estado como quer a nossa Constituição", afirmou.

Na defesa de Vannuchi, o presidente da OAB-RJ (Ordem dos Advogados do Rio de Janeiro), Wadih Damous, subiu o tom das críticas ao sugerir a demissão do ministro Nelson Jobim (Defesa) e dos comandantes militares contrários à punição de crimes cometidos na ditadura pelas Forças Armadas.

"Se é para haver demissões no governo, que sejam as primeiras as do ministro da Defesa, Nelson Jobim, e dos chefes militares", afirmou.

Damous disse ser "inaceitável" que a sociedade brasileira seja "tutelada por chefes militares". O presidente da OAB-RJ afirmou que Vannuchi tem razão no embate com a cúpula militar, pois as Forças Armadas tentam criar uma "crise artificial" em um país que vive a sua "plenitude democrática".

Divergências

Britto telefonou neste domingo a Vannuchi para prestar solidariedade ao ministro, que diverge da cúpula militar do governo em relação ao capítulo do plano que cria uma "comissão da verdade" para apurar torturas. Os militares classificaram o documento como "excessivamente insultuoso, agressivo e revanchista" às Forças Armadas, enquanto Vannuchi defende investigações de torturas cometidas por militares.

Na conversa, o presidente da OAB disse que a anistia não representa o "esquecimento" dos crimes cometidos durante o regime militar. "Todo brasileiro tem o direito de saber que um Presidente da República constitucionalmente eleito foi afastado por força de um golpe militar. Da mesma forma, não se pode esquecer que no Brasil o Congresso Nacional foi fechado por força de tanques e que juízes e ministros do Supremo Tribunal Federal foram afastados dos seus cargos por atos de força, e que havia censura, tortura e castração de todo tipo de liberdade", afirmou.

Na opinião do presidente da OAB, "o regime do medo que sustentava o passado não pode servir de desculpa no presente democrático". Britto disse que o país que tem "medo da sua história" não pode ser considerado um "país sério".

Demissão

Em entrevista à colunista Eliane Cantanhêde hoje na Folha, Vannuchi afirma que é "um fusível removível" no governo e pedirá demissão caso o terceiro Programa Nacional de Direitos Humanos seja alterado para permitir a investigação de militantes da esquerda armada durante a ditadura militar --como exigem o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e as Forças Armadas.

"A minha demissão não é problema para o Brasil nem para a República, o que não posso admitir é transformarem o plano num monstrengo político único no planeta, sem respaldo da ONU nem da OEA", disse.

Ele condena a tentativa de colocarem no mesmo nível torturadores e torturados. Uns agiram ilegalmente, com respaldo do Estado, os outros já foram julgados, presos, desaparecidos e mortos, comparou o secretário, citando o próprio presidente Lula, que foi julgado e condenado a três anos (pena depois revista) por liderar greves no ABC.

Intermediário

Lula volta ao trabalho amanhã (11), espremido entre o amigo e assessor de mais de 30 anos e ministros como Jobim e Reinhold Stephanes (Agricultura), que têm sido críticos ácidos do plano de direitos humanos, ao lado de outros setores, como a Igreja e a imprensa. Vannuchi aposta que Lula tentará uma opção intermediária.

Não é a primeira ameaça de demissão no governo por causa do plano. A primeira crise surgiu em dezembro, quando os comandantes do Exército, general Enzo Martins Peri, e da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, fizeram a mesma ameaça.

Fonte: Folha de São Paulo (on-line)

sábado, 9 de janeiro de 2010

UM APELO AOS VERDADEIROS DEMOCRATAS.

TODO NOSSO APOIO AO SECRETÁRIO NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS, PAULO VANNUCHI. CONHEÇO O PAULO PESSOALMENTE E POSSO REFERENDAR SUA SERIEDADE. POR ENQUANTO SÓ A DIREITA ESTÁ SE MANIFESTANDO. ESTÃO TENTANDO MAIS UMA VEZ ACABAR COM O PROGRAMA NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS. CRIMES DE TORTURA PRATICADOS POR AGENTES DO ESTADO SÃO IMPRESCRITÍVEIS E NÃO PODEM SER COMPARADOS COM A RESISTÊNCIA DOS PATRIOTAS AO RETORNO DA DEMOCRACIA E CONTRA A DITADURA MILITAR DE 64.


Frederico Drummond

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A cruzada para negar o aquecimento global por Ladslau Dowbor

Não há dúvidas sobre o aquecimento global, nem sobre o peso das atividades humanas na sua geração. No entanto, depois de dois anos de uma gigantesca campanha de mídia, envolvendo também a criação de ONGs fajutas e de movimentos aparentemente “grass-root”, portanto “espontâneas e comunitárias”, e sobre tudo listagens de cientístas “céticos” visando dar impressão de “quantidade”, temos resultados, e para os grupos do petróleo, do carvão e semelhantes, terá valido a pena. Segundo a revista britânica The Economist, a proporção de americanos que achavam existir evidências sólidas de aumento das temperaturas globais caiu de 71% em abril de 2008 para 57% em outubro de 2009 (Carta Capital, 16/12/2009, página 48)

O estudo de James Hoggan (Climate cover-up: The cruzade to deny global warming) não é sobre o clima, mas sobre comunicação, e consiste essencialmente em mapear como a campanha foi montada e como hoje funciona. A articulação é poderosa, envolvendo instituições conservadoras como o George C. Marshall Institute, o American Enterprise Institute (AEI), o Information Council for Environment (ICE), o Fraser Institute, o Competitive Enterprise Institute (CEI), o Heartland Institute, e evidentemente o American Petroleum Institute (API) e o American Coalition for Clean Coal Electricity (ACCCE), além do Hawthorne Group e tantos outros. Sempre petróleo, carvão, produtores de carros, muitos republicanos e a direita religiosa.

Os grandes grupos corporativos aparecem mais discretamente, com exceção da ExxonMobil que inundou com dinheiro o mercado de consultoria e de comunicação. Este “inundou”, naturalmente, é um conceito relativo: são centenas de milhões de dólares, mas New Scientist lembra que “as empresas de petróleo têm vastos lucros. Só a ExxonMobil lucrou US$ 45 bilhões em 2008. Em um mundo sano, certamente encontraríamos uma maneira de desviar um pouco deste dinheiro para resolver os problemas que o próprio petróleo está gerando. A questão é: estamos vivendo num mundo sano?” (NS, 5/12/2010, p. 5) Não custa lembrar que estas empresas não “produzem” petróleo, e sim extraem e comercializam um bem herdado da natureza que está acabando.

Em termos de personagens, encontraremos os das causas conservadoras e muitos personagens “flexíveis”, como Frank Luntz, Christopher Walker, Fred Singer, Patrick Michaels, Arthur Robinson, Steven Milloy, Benny Peiser e numerosos outros, além da eterna estrela do “contra”, o dinamarquês Lomborg, que graças à sua disponibilidade anti-clima ganha financiamentos para incessantes palestras.

Profissionais das relações públicas (sim, o nome é este) estão sempre presentes. Hoggan, o autor deste estudo, é um profissional de relações públicas e conhece profundamente como funciona a indústria da construção e da destruição das reputações de pessoas ou de causas. Isso o levou a fazer o presente levantamento detalhado de como se estrutura, com o impressionante poder das tecnologias modernas de comunicação, a manipulação da opinião pública. Independentemente da causa, no caso o drama do aquecimento global, o que é muito interessante no livro é entender esta indústria da desinformação.

Naomi Oreskes organizou uma meta-pesquisa, com o buscador “mudança climática global”, e limitada a artigos revistos por pares (peer review). Encontrou 928 artigos, nenhum colocando dúvidas sobre a realidade do processo climático. Nos jornais, no entanto, comentando a pesquisa, 53% dos artigos, buscaram ouvir “os dois lados”, e colocaram de maneira equilibrada opiniões de contestadores. Zero porcento de artigos científicos contestadores sobre o processo climático em si, mas nos jornais aparecia como “um tema em discussão”. O que era o objetivo. O tema está em discussão, afirmam gravemente os grandes grupos geradores do aquecimento (não diretamente, sempre por meio de listas de livre inscrição), portanto o assunto “é controverso”. Os “céticos” passam a se apresentar não como contestadores do fenômeno, mas como os que têm uma visão equilibrada, sem extremismos, portanto acreditam que talvez haja um problema, mas temos de ser ponderados, e adiar decisões.

No caso de Naomi Oreskes, é curioso, pois um Dr. Benny Peiser, professor de educação física (esporte mesmo, não física), realizou uma pesquisa sobre “mudança climática” (e não “mudança climática global”) e apresentou uma lista não de 928 artigos, mas de mais de 12 mil. Portanto, os 928 representariam apenas uma pequena parcela das opiniões. Os jornais, devidamente estimulados (a Fox em particular, naturalmente), fizeram alarde. Faltava demonstrar que os 12 mil tinham opinião contrária. Pressionado por revistas científicas que se recusavam a publicar o seu artigo, Peiser conseguiu localizar 34 artigos “que rejeitam ou duvidam da visão de que as atividades humanas são a principal causa do aquecimento observado nos últimos 50 anos”. Pressionado ainda para mostrar os artigos e os argumentos científicos em artigos “peer reviewed”, Peiser finalmente chegou a um artigo científico de contestação. Não era revisto por pares, e foi publicado na American Association of Petroleum Geologists. (102)

Tudo isto, evidentemente, amplamente divulgado, em particular por redes de institutos empresariais conservadores, utilizando em parte os mesmos grupos de relações públicas utilizados nas campanhas de caça-voto dos republicanos, e apoiados nas tecnologias de ampla divulgação como youtube. O resultado de tudo? Frente a tanta celeuma, os grupos interessados puderam passar a dar entrevistas “equilibradas”, pois estaria claro que “há controvérsias”. Que era o único objetivo da campanha. Não de negar o inegável, mas de dar a entender que as pessoas comedidas, equilibradas, não vão fazer nada, e muito menos pressionar os agentes do aquecimento global.

O livro é muito instrutivo para quem lida com comunicação, com teoria dos lobbies, com manipulação política. O próprio Hoggan menciona como é cansativo, a cada vez que aparece um cientista de peso mencionado no grupo “cético”, fazer circular a carta de denegação do cientista, ou destrinchar uma lista de milhares de “opositores” para ver se há no meio alguém que realmente tenha feito alguma pesquisa sobre a única coisa finalmente relevante, que não é a “opinião”, e sim dados científicos novos que provem algo diferente. E depois tentar fazer circular a informação de que a “notícia” afinal não era notícia, isto numa mídia onde as corporações financiam a publicidade.

Uma pérola entre os argumentos e uma das mais utilizadas: “Como os cientistas dizem que podem prever o clima dentro de 50 anos se não são capazes de prever a chuva de amanhã”. Como se meteorologia e estudos climáticos fossem da mesma área. Um britânico pode não saber se vai nevar amanhã, mas sabe perfeitamente prever que vai chegar o inverno e o frio correspondente, e não hesita em comprar um casaco. Mas o argumento pega e se apoia numa fragilidade que é de todos nós: se nos dão um argumento que confirma a opinião que já estávamos propensos a ter, qualquer estribo vale.

O estudo bem poderia ser traduzido e utilizado para os nossos próprios problemas, como por exemplo o peso da bancada ruralista na opinião pública, ou as campanhas orquestradas pela Febraban, ou ainda a campanha contra a proibição de armas de fogo individuais, estribadas no “direito de se defender” e até na “liberdade”. Nos Estados Unidos, temos precedentes interessantes e igualmente desastrosos tanto no caso das armas, como na batalha das grandes empresas de saúde privada aliadas com o “Big Pharma” para tentar travar o direito de acesso a serviços de saúde, sem falar das gigantescas campanhas das empresas de cigarros.

O último livro de Robert Reich, aliás, Supercapitalim, também trata desta apropriação dos processos políticos pelas corporações. O filme O Informante mostra como isto se deu com a indústria do cigarro, enquanto The Corporation explicita o mecanismo de maneira ampla. Marcia Angell fez um excelente estudo dos procedimentos equivalentes na indústria farmacêutica (em português, A verdade sobre os laboratórios farmacêuticos). A própria desinformação se transformou numa indústria. É a indústria da opinião pública.

No caso da mudança climática, como qualificar a dimensão ética do que constitui uma clara compra de opiniões? Ou os ataques impressionantes das empresas de advocacia das corporações, que processam qualquer pessoa que ouse sugerir que uma opinião poderia envolver não a verdade mas interesses corporativos? O liberalismo tem uma concepção curiosa da liberdade.

* Ladislau Dowbor, é doutor em Ciências Econômicas pela Escola Central de Planejamento e Estatística de Varsóvia, professor titular da PUC de São Paulo e da UMESP, e consultor de diversas agências das Nações Unidas. É autor de “Democracia Econômica”, “A Reprodução Social”, “O Mosaico Partido”, pela editora Vozes, além de “O que Acontece com o Trabalho?” (Ed. Senac) e co-organizador da coletânea “Economia Social no Brasil“ (ed. Senac) Seus numerosos trabalhos sobre planejamento econômico e social estão disponíveis no site http://dowbor.org’