terça-feira, 14 de abril de 2015

OS MITOS FUNDADORES NA RAIZ DA MOBILIZAÇÃO SOCIAL.

Parece existir de forma difusa na sociedade brasileira a presença mobilizadora do Mito Fundador da Grande Redenção, originário da cultura abraâmica ocidental. Sempre que ocorrem grandes mobilizações populares, tanto à esquerda como à direita do espectro social, fica a sensação que na hora seguinte ocorrerá um momento mítico em que o povo, enfim liberto da escravidão, poderá entrar na Terra Prometida, onde jorra o Leite e o Mel. Nesta busca mítica quase sempre tem espaço para figura de um líder carismático, a exemplo do papel exercido por Moisés. 
Escravo, o povo procura seu libertador e aquele que o conduzirá a caminho do Reino. Em muitos momentos as religiões e seus líderes representam estes papéis, em outros partidos políticos que o fazem. Em momentos de crise muitos se expressam apenas como massa e passam a ser alvo de aventureiros. As dores existenciais do sujeito social não podem ser tomadas como fantasias, Mas não se pode fortalecer nem admitir o espaço que os aventureiros tentam escalar em tais momentos. O momento requer lucidez e uma fé, que até pode ser ingênua, no poder resolutivo da estrutura da na nossa democracia, É neste espaço que construímos nossa liberdade e expressamos nossos valores de generosidade e compaixão.

terça-feira, 10 de março de 2015

Companheiros do PT e aliados de esquerda: estamos errados.

Falta-nos táticas e estratégia. Deste jeito estamos provocando a derrota de um projeto de emancipação popular, inaugurado pelo presidente Lula. A luta não é moral, é ideológica. Se não soubermos definir nossa direção vamos ser derrotados pelos projetos de interesse do capital financeiro. Fazer autocritica não é fraqueza. Fazer autocrítica sempre foi a nossa força. Em nossa caminhada poderemos ser acusados de tudo e até ser preso injustamente por isto. Isto não deve nos enfraquecer. O que pode nos enfraquecer é abrir mão da luta pela democracia e pela justiça social. O exercício do poder não pode nos envaidecer. O exercício do poder só nos serve como instrumento de aplicação democrática de justiça e da emancipação coletiva.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

PONTOS PROGRAMÁTICOS PARA UMA AGENDA PARA O BRASIL - 2015-2019

1 – Iniciar imediatamente os debates para a instalação de uma Constituinte tendo como foco todas as reformas políticas.
2 – Ampliar o esforço de combate generalizado a toda forma de corrupção, com investigações, julgamentos, veredicto e aplicação do veredicto.
3 – Reafirmar os procedimentos de controle da inflação, sem comprometimento do emprego, da remuneração do trabalho e dos programas de inclusão social.
4 – Renegociar uma nova política industrial que contemple majoritariamente o capital nacional, a sustentabilidade ecológica.
5 – Ampliar os programas de qualificação da educação e incentivo à pesquisa e à tecnologia, considerando o particular valor da tecnologia social e da pesquisa voltada para a maior qualificação ética da apropriação da natureza.
6 – Ampliar o investimento na Agricultura Familiar e da questão fundiária, promovendo também a Economia Familiar Urbana dentro do modelo da chamada Economia Plural.
7 – Promover um amplo programa de proteção da saúde contra sua sujeição aos critérios de mercado e reserva de domínio a setores profissionais restritos. A mercantilização da saúde continua sendo a grande barreira para ações de sua emancipação.
8 – Prosseguir e aprofundar os programas de infraestrutura do país, incluindo a visão social do uso do espaço urbano e sua mobilidade.
9 – Rever o sistema tributário com maior tributação do capital financeiro, grandes riquezas, grandes heranças e capital especulativo e isenção de tributação das receitas do trabalho. Centrar a tributação no consumo do supérfluo.
10 – Promover amplo debate sobre a criminalização de toda forma de preconceito, incluindo a discriminação social, de gênero, de opção afetiva, de raça e de grupos regionais.


Frederico Drummond – Psicoterapeuta e professor de filosofia. 

sábado, 11 de outubro de 2014

SAI MAIS UMA FRAUDE DE PESQUISA E DECLARAÇÃO DA ISTOÉ/ENSUS QUE RESULTADOS PRÓ AÉCIO É IRREVERSÍVEL.
1 - Pesquisa divulgada pela Istoé/Sensus dá conta que Aécio soma 52,4%, Dilma 36,7% e os indecisos, brancos e nulos são 11%..
2 - Comparando este resultado com o total de eleitores que votou no primeiro turno (115122883) - ou seja com uma abstenção de 19,3 - Aécio teria hoje 60.324.391; Dilma teria 42.250.098 e os brancos e nulos 12.663.517,
3 - Confrontado com o primeiro turno Aécio teria se beneficiado com a migração de todos os votos de Marina (22176619) e de todos os votos dos partidos pequenos, incluindo os de esquerda (3682304).
4 - Dilma teria perdido agora 1.017.570 quando comparado com o primeiro turno.
5 - Estes números são altamente improváveis porque seria um caso de migração de votos e perda em relação ao primeiro turno totalmente desproporcional com os votos deste mesmo primeiro turno e as pesquisas recentes do IBOPE E DATAFOLHA.
6 - O Datafolha em sua última pesquisa registrou uma aprovação do governo Dilma em torno de 75% e um empate entre Dilma e Aécio, resultados mais prováveis considerando o tamanho da amostra dos dois institutos.
7 - É preciso iniciar uma auditoria nestas pesquisas porque O GOLPE CONTRA A DEMOCRACIA CONTINUA A PLENO VAPOR,
Frederico Drummond - psicoterapeuta e professor de filosofia.

domingo, 5 de outubro de 2014

PORQUE VOTO EM DILMA. PORQUE CONVIDO VOCÊ A VOTAR EM DILMA.

Hoje um grupo de conhecidos e parentes me ligou perguntando em quem eu vou votar para presidente e porque motivo. Pois bem, de uma forma muito sintética vou resumir minhas razões.
Desde que me entendo por gente persigo um caminho espiritual iluminado pela busca da generosidade e da compaixão, senho esta busca o sentido da minha vida. Nasci no ambiente de uma família católica. Todavia o Deus do meu coração tem a face mansa de Jesus. Não a face dos poderosos, do ritualismo formal e de qualquer tempo de pedra. Foi sua mensagem que guiou minhas escolhas, Compaixão, alteridade, perdão incondicional, generosidade são valores que passei a buscar na minha jornada política. Neste caminho tive um forte inspiração em um antropólogo/ teólogo Pierre Teilhard de Chardin. A visão de toda a natureza impregnada pelo divino (Deus ao mesmo tempo imanente e transcendente) levaram muitos a identificar Chardin como Panteísta. Isto para mim nunca foi negativo. Muito ao contrário. A presença de Deus na natureza, como dizia o filósofo, Espinosa, não diminui Deus, mas eleva a Natureza. Olhando então para esta Natureza, que possui história, o que posso ver em todos os cantos? Não são os ensinamentos de Jesus que encontro na história moderna da humanidade. Muito ao contrário. Na história foi possível reconhecer um sistema social, econômico e político que nada favorece a trajetória espiritual de promover os pobres e todos os excluídos dentro desta mesma história. Desta forma e, desde então, minhas buscas e minhas escolhas tiveram esta direção. Nos últimos 12 anos o Brasil passou por uma experiência de sair do Mapa da Fome. Um relatório da ONU diz: “A fome deixou de ser endêmica no Brasil. Hoje, o país é um exemplo mundial de que é possível reduzir a fome de forma significativa, eficaz e digna. Compromisso político, investimentos, políticas públicas integradas e coordenadas e participação social são fatores que explicam o Brasil ter saído do mapa da fome." 
A FAO cita como fatores que ajudam a explicar o êxito brasileiro na luta contra a fome a prioridade política dada à segurança alimentar pelo governo e o aumento dos investimentos públicos; a participação e controle social; a criação e reforço de políticas públicas que tocam nessa questão; a coordenação entre as diferentes ações tanto a nível federal quanto aos níveis estaduais e municipais; a vinculação entre políticas produtivas e sociais; e o fortalecimento do marco legal assegurando o direito à alimentação.
Os atos de corrupção praticado por petistas ou por grupos e pessoas ligados a qualquer outro partido, empresa ou organização são atos de sabotagem a este projeto de emancipação dos pobres. Por isto Dilma os combate com uma coragem juvenil. Nenhum corrupto ou sistemas econômicos capitalistas podem impedir os pobres se emanciparem.
Este era o sonho do Betinho. irmão do Henfil, Deste sonho eu compartilho e reconheço DILMA como a candidata mais experiente e competente para concluir esta missão. Por visto voto nela sem a mínima sombra de vacilação ou dúvida.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Banco Central independente de um governo popular é um logro. Vai depender apenas do Capital.

1 - Nem todo dogma é fundamentalista. Mas todo fundamentalismo é sempre dogmático.
2 - A assimetria do poder, que impede o exercício da democracia, não resulta apenas da concentração do capital. Porém, toda forma de burocracia é geradora de poder assimétrico.
3 - A Democracia dita representativa é um engodo. O representado não tem poder de controle sobre o seu representante, podendo apenas destituí-lo ou nomeá-lo pelo voto ou pela força. No cotidiano os representados desconhecem como e o que fazem seus representantes.
4 - A única forma de democracia real é a direta ou participativa. Por uma questão prática, não por princípios, é preciso sempre descobrir formas de aumentar a ação direta do representado sobre seu representante.
5 - Banco Central do Brasil é um exemplo prático de burocracia, que se exercita por meio de um conjunto de normas de difícil domínio dos verdadeiros titulares desta instituição: o POVO. Banco Central independente de um governo popular é um logro. Vai depender apenas do Capital.
6 - O Estado só se democratiza quando se expressa de forma simétrica com a sociedade civil.
7 - A revolução cultural, na China, foi uma tentativa de liquidar o poder da burocracia do Partido Comunista. Criou, porém nova forma de poder assimétrico, através da Guarda Vermelha, amparado em um fundamentalismo armado e no culto à personalidade.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

A COPA E OS DONOS DO PODER

Quem tem dinheiro compra, quem não tem está fora. Esta é a linguagem do mercado. Esta linguagem não foi inventada nem pelo Lula, nem pela Dilma, muito menos pelo PT. Esta linguagem foi inventada pelos capitalistas.


Antes de você apontar sua metralhadora para a organização da Copa no Brasil é melhor apontá-la para seus patrocinadores: o capital financeiro. A hipocrisia que circula na rede é tão grande que parecem esquecer que a mercantilização do esporte em geral e do futebol em particular começou lá trás, quanto esporte virou mercadoria. O nome disto é reificação e constitui uma das denúncias mais contundentes do critico social Karl Marx. Então se você quiser sabotar a copa é bom entender todo o processo de alienação que alimenta todos os estádios de futebol em todos os cantos do mundo. Vejo que no meio dos que clamam contra a copa estão os torcedores de todos os times nacionais. Quem banca estes times? Quem financia seus estádios? Quem paga salários milionários para jogadores de futebol? Finalmente - quem são os verdadeiros donos do Capital e sistematicamente subtraem recursos da educação e da saúde pública, porque há quase 500 anos só entendem esta prática, a linguagem do mercado. Quem tem dinheiro compra, quem não tem está fora.

EM TEMPO; Disseram-me que no caso da Copa, a construção dos Estádios teve como origem Recursos Públicos e na compra e salário de um jogador o recurso é Privado. ESTA DISTINÇÃO É MAIS UMA FALÁCIA. Vejamos porque:

a) Os recursos públicos tem uma de suas principais origens de receita nos tributos, dinheiro que pertence teoricamente ao coletivo do povo, não podendo assim ser destinado ao uso dos negócios privados. Em tese ele deveria se destinar em sua totalidade àqueles que deram sua origem - novamente o coletivo do povo. incluindo os banqueiros (os donos do Itau, Bradesco etc) como pessoa física e assemelhados (donos - pessoa física da Globo e assemelhados). Um forte pleito da classe média é o investimento pelo Estado em infra-estrutura, como estradas de todos os tipos, portos, barragens etc. Mas é a classe média o principal beneficiária destes investimentos? Claro que não. Quem são então? São aqueles que, em virtude destes investimentos, têm seus cursos reduzidos e seus lucros aumentados. Ou seja os maiores beneficiários dos pleitos da classe média são os donos do Capital. Vale lembrar que QUALQUER QUE SEJA O GOVERNO (Trabalhista, Socialista, Social-democrata, Neoliberal) a prioridade dos investimentos será sempre para os titulares do PODER, ou seja, a classe hegemônica. O PT chegou ao GOVERNO, mas nunca ao PODER. Estas são coisas muito diferentes. Daí da para receber que a briga com a COPA o buraco é mais embaixo. É claro que um PODER é hegemônico, mas não único (ou monolítico). O PODER é disputado por outras forças sociais como os DONOS do TRABALHO (assalariados, agricultores familiares, micro-empresa familiar urbana, empreendedores individuais, cooperativas da Economia Social e a parcela do ESTADO que representa estes poderes. O nome de tudo isto é ECONOMIA PLURAL.

b) Outra questão central é a origem do Capital das empresas, entendido por muitos como de origem privada. E sendo privado, este Capital poderia ele comprar e gastar o que quisesse em estágios e salários de jogadores. Mas não é assim que funciona.
O Capital das empresas tem em geral duas origens principais: o valor de venda das mercadorias (a margem adicionada a um produto) e o valor da mais-valia. A Mais-Valia é a diferença que o trabalhador agrega com seu trabalho ao produto (a) e o valor do seu salário (b). A massa do valor agregado do trabalho é sempre maior do que a massa do valor de todos os salários pagos. Em uma cooperativa legítima esta diferença a mais do valor agregado pelo trabalho é distribuída entre todos os sócio-trabalhadores. Em uma empresa convencional esta diferença é apropriada pelo empresário. Então alguém argumenta a mais-valia é remuneração do empresários pelo seus riscos no investimento (capital, tecnologia e equipamentos). Bobagem - capital, tecnologia e equipamentos são o que chamamos de "trabalho congelado" ou como diz Marx " trabalho morto". Isto significa que em algum momento da cadeia este dinheiro deixou de ser entregue aos que o geraram, o seja os donos do trabalho. Se queremos falar em algum tipo de Capitalismo Social o lucro das empresas precisaria ser reinvestido integralmente (deduzido a depreciação dos equipamentos e novos investimentos em tecnologia) em benefícios sociais. O empresários teria seu salário como todos os trabalhadores, como acontece em uma cooperativa. Para que não pensem que não tenho referencial empírico aqui vai: TODA A REGIÃO DO QUEBEC no Canadá funciona assim.

Isto é um modelo real de não exploração do trabalho e de não alienação. Considerado estes considerandos poderemos então falar dos gastos com a COPA e todos os outros gatos privados e públicos no Brasil. Data vênia (eita Supremo) os que pensam em contrário são estas minhas considerações.