quarta-feira, 30 de setembro de 2009

AGRICULTORES FAMILIARES: O GRANDE AVANÇO DA DEMOCRACIAL ECONÔMICA E SOCIAL

No final da década de 90, eu trabalhava na Secretaria de Formação da CUT Nacional. Altermir Tortelli, diretor desta área, era uma das principais lideranças dos Agricultores Familiares. Nesta época acompanhei todo o esforço desta categoria de trabalhadores, que não se sentia representada pelos sindicatos patronais e era vista com reservas pelos trabalhadores assalariados, representados nos sindicatos da CUT. Afinal eles eram proprietários de terras e dos seus meios de produção (tratores, silos, etc). A rigor deveriam se identificar como empresários. Mas toda a produção é feita pela própria família. A mão de obra assalariada é pouco expressiva. Cada unidade agrícola produzia seus excedentes, mas que não podiam ser classificados como lucro (resultante de uma mais-valia, porque esta também não existia). Sua melhor classificação seria “sobras”, como ocorre nas cooperativas legítimas e solidárias. Nesta época o IBGE só fazia duas classificações: produtor rural (como dono da propriedade) ou trabalhador rural (como assalariado, meeiro ou outra forma de vínculo). Tortelli dizia com muita ênfase que o IBGE precisava abrir uma nova categoria para poder categorizar este grupo de trabalhadores. E isto finalmente foi obtido: eles eram “agricultores familiares”. De 2000 a 2006 esta categoria realizou um grande esforço para a criação da Federação Nacional da Agricultura Familiar, mantendo-se vinculados à CUT. Mas a construção desta identidade não se realizou sem traumas. Até então os trabalhadores rurais, reuniam seus sindicatos em torno da CONTAG, inclusive os agricultores familiares. Neste processo ocorreu um grande “racha” no interior do movimento dos trabalhadores, resultando no afastamento do Tortelli da direção da CONTAG. Esta ruptura foi decisiva para os agricultores familiares aprofundar sua organização como uma categoria distinta. De fato isto aconteceu.
Conforme o texto elaborado para o site da FETRAF BRASIL : “no mês de julho de 2004, mais de 2.000 agricultores/as familiares provenientes de 22 Estados do país participaram em Brasília do 1º Encontro Nacional Sindical da Agricultura Familiar, no qual decidiu-se por aclamação aprofundar e estender por todo o Brasil o processo de reorganização e re-estruturação sindical da Agricultura Familiar através da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Brasil- FETRAF-Brasil/CUT.O nascimento se deu num grande momento: o Congresso de Fundação realizado nos dias 22 a 25 de novembro de 2005, em Luziania, Estado de Goiás, com a presença de 1200(mil e duzentos) delegados(a) e 250 convidados. Entre os convidados estiveram o Presidente Lula, vários Ministros, Deputados, Senadores, ONG´s, o Presidente da CUT Nacional, Movimentos Sociais e uma grande delegação Internacional.”
Em nossa opinião está aí a base de uma estrutura que mais se identifica com a Economia Solidária, ficando distante e fazendo uma disputa hegemônica com os representantes do modo de produção capitalista. Os agricultores familiares representam também um dos principais agentes da luta pela preservação do ecossistema e da ecologia. Recentemente foi responsável pela criação da Universidade Federal da Fronteira Sul, com atuação nos três estados do sul brasileiro.
Os dados divulgados hoje pelo IBGE (reproduzimos abaixo) são altamente significativos da expressão deste setor, como agente de transformação de um economia verdadeiramente democrática.

Agricultura familiar emprega 75% da mão-de-obra no campo, aponta censo do IBGE

O Censo Agropecuário 2009 traz uma novidade: pela primeira vez, a agricultura familiar brasileira é retratada nas pesquisas realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ( IBGE).O setor emprega quase 75% da mão-de-obra no campo e é responsável pela segurança alimentar dos brasileiros, produzindo 70% do feijão, 87% da mandioca, 58% do leite, 59% do plantel de suínos, 50% das aves, 30% dos bovinos e, ainda, 21% do trigo consumidos no país.Foram identificados 4.367.902 estabelecimentos de agricultura familiar que representam 84,4% do total, (5.175.489 estabelecimentos), mas ocupam apenas 24,3% (ou 80,25 milhões de hectares) da área dos estabelecimentos agropecuários brasileiros.O estudo do IBGE traça uma radiografia do setor, analisando características dos 5,2 milhões de propriedades rurais do país e ainda dados dos produtores.Os resultados do levantamento permitem uma comparação com o último censo do tipo, referente aos anos de 1995 e 1996. Entre as informações estão dados sobre a estrutura fundiária, a produção, as técnicas utilizadas, o pessoal ocupado e as finanças desses estabelecimentos.Segurança alimentarApesar de ocupar apenas um quarto da área, a agricultura familiar responde por 38% do valor da produção (ou R$ 54,4 bilhões) desse total. Mesmo cultivando uma região menor, a agricultura familiar é responsável por garantir a segurança alimentar do país gerando os produtos da cesta básica consumidos pelos brasileiros. O valor bruto da produção é de R$ 677 por hectare/ano.A cultura com menor participação da agricultura familiar foi a soja (16%). O valor médio da produção anual foi de R$ 13,99 mil.Outro resultado positivo apontado pelo Censo é o número de pessoas ocupadas na agricultura: 12,3 milhões de trabalhadores no campo estão em estabelecimentos da agricultura familiar (74,4% do total de ocupados no campo). Ou seja, de cada dez ocupados no campo, sete estão nesta atividade que emprega 15,3 pessoas por 100 hectares.O Censo também revela que dos 4,3 milhões de estabelecimentos, 3,2 milhões de produtores são proprietários da terra. Isso representa 74,7% dos estabelecimentos com uma área de 87,7%.Produção de sojaA cultura da soja foi a que mais se expandiu no país na última década. Com um aumento de 88,8% na produção, foram produzidos, em 2006, 40,7 milhões de toneladas, em 15,6 milhões de hectares. A área colhida também teve aumento de 69,3%. Ao todo, a produção de soja gerou R$ 17,1 bilhões para a economia brasileira. O grão foi cultivado em quase 216 mil propriedades, localizadas principalmente no Centro-Oeste.O levantamento também revela que a produção da soja transgênica vem ganhando espaço no Brasil como forma de reduzir os custos. Em 2006, quase metade (46,4%) das propriedades agropecuárias cultivou esse produto, que ocupou uma área de quatro milhões de hectares. O uso de semente certificada (por 44,6% dos estabelecimentos), de agrotóxicos (por 95,1%) e de adubação química (por 90,1%) e a adoção de colheita mecanizada (por 96,8%) também foram destacados pelos técnicos do IBGE.Outras culturasO documento ressalta, ainda, outras culturas, que são a do arroz, cuja produtividade teve crescimento de 44,6%, compensando a redução da área colhida, que foi de 18,8%, e a do feijão, com expansão de 50,9%, cuja área teve crescimento de apenas 6,3%. Nessas duas culturas, a colheita foi feita principalmente de forma manual.A pecuária teve destaque como principal atividade econômica das propriedades rurais no país, representando 44% do total e ocupando 62% da área de todas as unidades agropecuárias. O valor da produção do setor correspondeu a 21,2% de toda a agropecuária.

Fonte: Blog da Dilma

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Ambientalismo: Um Suspiro Neoliberal

Em nossa avaliação o conceito de ecoeficiência possui sérias restrições para dar conta de um projeto ambiental inclusivo. Afirmamos mesmo que o conceito está revestido de ambigüidades. Lembrando as palavras de Stephan Schmidheiny o prefixo "eco" refere-se tanto à economia como à ecologia. Todavia em sua própria definição a ecoeficiência tem muito pouco de ecologia, estando mais associada aos princípios ambientais de inserção neoliberal.
Este aliás foi um expressivo campo de tensão nas disputas hegemônicas entre o pensamento neoliberal e os conceitos ecológicos presentes no pensamento marxista.
Vale lembrar que o empresariado de maior estatura internacional adotou a cartilha do novo modelo, pactuado na Segunda Conferência Mundial da Indústria sobre Gerenciamento Ambiental, organizada pela Câmara Internacional do Comércio. Através da assinatura de um catálogo de diretrizes intitulado “Carta Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável”, esta conferência, que ocorreu no ano de 1991, também estimulou a adoção de práticas administrativas que efetivem esta nova estratégia de progresso econômico. A adoção imediata dos pressupostos do Relatório Brundtland pelas nações mais poderosas e pelo empresariado internacional não ocorreu por mudança de prioridades: o Desenvolvimento Sustentável nasceu no âmago do pensamento da classe dominante, e utiliza os pressupostos do conservacionismo juntamente com um ensinamento do universo econômico de gestão de negócios: o “Princípio da Precaução”. Este Princípio foi percebido como uma oportunidade inigualável de superar o risco e a incerteza através de investimentos e estudos localizados. O consumo mais eficiente de energia, a redução de poluição nas escalas global e local e o uso racional de matéria-prima fornecem a chance da criação de novas técnicas mais lucrativas e estimulam transformações econômicas mais virtuosas, em lugar da aceitação sectária dos problemas existentes.
Descartado como inadequado o conceito de ecoeficiência conforme o modelo neoliberal, pretendo discuti-lo como uma estratégia de eficiência ecológica, no espaço da economia solidária.
Os princípios da gestão cooperativa e os processos associados conduzem a um nível mais elevado de comprometimento geral com todas as etapas dos processos de produção e circulação dos produtos. Melhora o nível de eficiência econômica e ambiental. Mais do que isto: desenvolve um aprendizado holístico e sistêmico das relações e processos de trocas entre todos os subsistemas, incluindo naturalmente os recursos naturais. A sustentabilidade está precisamente no surgimento de um tipo de organização cooperativa em todos os níveis da ecologia. Neste modelo estão presentes processos competitivos, mas estes não constituem a natureza fundamental das relações, que são predominantemente cooperativas. Neste sentido a eficiência é holística e sistêmica.
Entretanto esses grupos para sobrevivência no mercado, na qual estão inseridos, necessitam, também atender aos padrões e exigências deste, para os seus produtos e serviços. Pois apesar do modo produtivo internamente ser diferenciado, ao inserir seus produtos e serviços no mercado, estes são tratados como as demais empresas. Para isso precisam combinar procedimentos democráticos e cooperativos com processos de produção de forma que possam ser compatíveis.

domingo, 27 de setembro de 2009

THEIA VIVA:Mapa genético mostra que todas as pessoas estão ligadas umas às outras

Se a cor da pele, o sotaque e a forma como nos vestimos revela de onde viemos, os genes fazem o mesmo. E para mostrar que viemos todos de um mesmo ponto do globo, independente do país onde nascemos, da língua que falamos ou dos nossos costumes, uma equipe chefiada pelo pesquisador americano Spencer Wells desenvolveu uma espécie de mapa genético dos moradores do Queens, um dos distritos mais multiculturais de Nova York.
Wells, doutor em genética pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, disse que o objetivo do projeto era mostrar que todas as pessoas estão ligadas umas às outras.
"O que mais me surpreende como cientista é que pudemos comprovar que todos nós viemos da África. Como espécie, saímos todos da África milhares de anos atrás", disse o geneticista. A teoria de que a humanidade saiu da África é amplamente difundida entre cientistas de diferentes áreas, como biólogos e arqueólogos. O mais famoso fóssil de um ancestral do ser humano já encontrado foi descoberto na Etiópia em 1974 e apelidado de "Lucy". A descoberta ajudou a consolidar a fama da região como "berço da humanidade".

"Acredito que esta pesquisa pode contribuir principalmente com o trabalho de arqueólogos e historiadores, que podem usar as informações para tentar explicar de onde viemos", completa o cientista.

Na pesquisa da Spencer Wells, a equipe de pesquisadores coletou 50 mil amostras de DNA de pessoas de mais de cem países e identificou alguns marcadores genéticos. Os cientistas mediram a ocorrência destes marcadores nas amostras. "Quando duas pessoas têm o mesmo marcador, isso quer dizer que elas tiveram um ancestral em comum", explicou o geneticista. Os marcadores mostraram que, no Queens nova-iorquino, alguns vizinhos eram descendentes de uma mesma linhagem antiga, que remetia à Europa, à Ásia, ao Oriente Médio e, por fim, à África.

O projeto gerou o documentário "A Grande Árvore Genealógica", que será exibido no canal por assinatura NatGeo neste domingo (22), às 21h. Para o pesquisador-chefe, que é colaborador da National Geographic, a pesquisa, da forma como foi feita e com a amplitude de amostras que teve até o momento, "é fruto de 20 anos de aplicação do DNA nas ciências" e foi possível graças às tecnologias de informática desenvolvidas durante este período.

No Brasil
O tipo de pesquisa realizada pela equipe do geneticista americano não é novidade. Há anos que o campo de estudo da genética humana mapeia linhagens a partir do DNA de voluntários.

Um trabalho semelhante ao de Wells já foi feito por uma equipe da USP (Universidade de São Paulo) na região do Vale do Ribeira, no sul do Estado de São Paulo.

Os pesquisadores da universidade mapearam o DNA mitocondrial de membros de dez comunidades quilombolas da região em busca de marcadores genéticos que revelassem ascendência africana, indígena e europeia. Encontraram 51% de contribuição africana e 48% de contribuição ameríndia entre os indivíduos que participaram da pesquisa.

Fonte: UOL SAUDE

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

“Newsweek”: Lula, “O político mais popular do mundo”

A revista norte-americana “Newsweek” publicou em seu site na internet reportagem e entrevista com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Intitulada de “O político mais popular do mundo”, a reportagem fala da trajetória de Lula desde a infância pobre no Nordeste do Brasil até a presidência e destacou como o Brasil passou quase imune à crise financeira internacional – “nenhum banco faliu, a inflação está baixa, e a economia voltou a crescer”, diz a revista.

Na entrevista, disponibilizada nesta quinta-feira (24) pela assessoria de imprensa da Presidência da República, Lula afirmou que o país “passou a se valorizar” depois de ter mantido um comportamento de “país de segunda categoria” e citou o desempenho do Estado brasileiro como “lição” para outros países.

“O Estado tem um papel importante, de que o Estado pode ser o grande regulador, o Estado pode ser o grande indutor, e trabalhar em uma harmonia entre iniciativa privada, Estado e sociedade. No Brasil, graças a Deus, nós tínhamos um sistema financeiro mais sólido, no Brasil nós tínhamos bancos públicos que têm um papel importante no crédito brasileiro, e foram esses bancos que ajudaram que a crise aqui não fosse tão grave quanto foi nos países mais ricos”, disse.

“No mundo globalizado, você não pode ficar parado esperando que as pessoas venham aqui para o Brasil valorizar o Brasil. Você é que tem que viajar e valorizar o teu país”, afirmou o presidente, que destacou o fortalecimento do Mercosul e das relações com a América Latina.
De acordo com Lula, a diversificação da balança comercial brasileira ajudou com que o país sofresse menos com a crise que outros países. “Nós hoje temos uma balança comercial muito diversificada, não apenas em produtos, mas também em países, e isso nos deu uma garantia, inclusive na crise, de sofrer menos do que aqueles países que tinham todas as suas exportações voltadas para um único bloco ou para um único país.”
Questioando se a diversidade das exportações era mérito do governo ou do setor privado, Lula respondeu que não “aceita” a idéia que o setor privado é responsável “quando as coisas vão bem” e que o governo é responsável “quando as coisas vão mal”. “Ninguém neste país vende mais os produtos brasileiros do que eu (...) É assim que a gente constrói uma grande nação”, disse.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Cognição: uma propriedade geral da vida.

Entendemos que a faculdade dos humanos conhecerem e além disto saber que se sabem, constitui o fundamento do que chamamos consciência reflexa. Alguns teóricos consideram este, um ponto de culminância de uma estrutura cognitiva, que é uma propriedade geral da vida, no dizer de Fritjof Capra, in “Teia da Vida” (Cultrix): Sistemas vivos são sistema cognitivos, sintetiza Humberto Maturama, na Teoria de Santiago
Mas já falamos que a consciência possui filtros que condicionam a construção do saber. No caso particular da Psicologia este filtro reside no Inconsciente, conforme Freud. Assim esta pergunta é formulada por Marilene Chauí: “Que acontecerá, porém, se o sujeito do conhecimento descobrir que a consciência possui mais um grau, além dos três que mencionamos e, sobretudo, quando descobrir que não se trata exatamente de mais um grau da consciência, mas de algo que a consciência desconhece e sobre o qual nunca poderá refletir diretamente? Que esse algo, desconhecido ou só indiretamente conhecido, determina tudo quanto a consciência e o sujeito sentem, fazem, dizem e pensam? Em outras palavras, que sucederá quando o sujeito do conhecimento descobrir um limite intransponível chamado o inconsciente?”
Com efeito esta é, como já dissemos uma das grandes, senão a maior descoberta de Freud, constituindo uma das bases fundamentais da psicanálise.
A vida psíquica é constituída por três instâncias, duas delas inconscientes e apenas uma consciente: o id, o superego e o ego (ou o isso, o supereu e o eu). Os dois primeiros são inconscientes; o terceiro, consciente.
O inconsciente, diz Freud, jamais será consciente diretamente, podendo ser captado apenas indiretamente e por meio de técnicas especiais de interpretação desenvolvidas pela psicanálise. E assim complementa Chauí:
“(... ) A psicanálise descobriu, assim, uma poderosa limitação às pretensões da consciência para dominar e controlar a realidade e o conhecimento. Paradoxalmente, porém, nos revelou a capacidade fantástica da razão e do pensamento para ousar atravessar proibições e repressões e buscar a verdade, mesmo que para isso seja preciso desmontar a bela imagem que os seres humanos têm de si mesmos.
Longe de desvalorizar a teoria do conhecimento, a psicanálise exige do pensamento que não faça concessões às idéias estabelecidas, à moral vigente, aos preconceitos e às opiniões de nossa sociedade, mas que as enfrente em nome da própria razão e do pensamento. A consciência é frágil, mas é ela que decide e aceita correr o risco da angústia e o risco de desvendar e decifrar o inconsciente. Aceita e decide enfrentar a angústia para chegar ao conhecimento: somos um caniço pensante.(...)

Consciência de Classe

De acordo com Marx toda consciência é historicamente determinada. A própria filosofia e a reflexão crítica não acontece fora da história. Marx depurou a noção de ideologia, como um grande filtro, a permear nossos olhares, reflexões e construção do saber. Se a ideologia permeia nosso próprio modo de fazer ciência não poderíamos contar com uma razão isenta. Marx nos lembra muito bem que a consciência é uma consciência de classe.
Da mesma forma, a grande descoberta de outro pensador – Freud – ao estabelecer a existência do inconsciente, mostrando o quanto de nossas escolhas e razões se distanciam de uma pretensa objetividade. Por outro lado os processos alienantes foram tratados de forma exemplar pelo próprio Freud, informando que sensos não-críticos podem surgir a partir da repressão de estruturas arcaicas da psique, mesmo entre os detentores de saberes filosóficos, científicos, etc.
Ou seja, o conhecimento possível resulta de uma consciência circunscrita. Isto significa seremos eternas vítimas de uma estrutura que filtrará nossos olhares? Pode ser verdade. Mas porque ainda assim fomos capazes de refletir sobre nossa limitação ao conhecimento verdadeiro do ser? E mais, fomos capazes de demonstrar como isto acontece.
É possível que em nosso modelo de consciência e conhecimento tenha nos escapado alguma reflexão relevante.A proposta a seguir é exatamente refletir sobre isto.