domingo, 24 de janeiro de 2010

Dez anos depois, "outro mundo ainda é possível", diz criador do Fórum Social Mundial

Por
Luana Lourenço
Da Agência Brasil
Em Brasília

Dez anos depois da primeira edição do Fórum Social Mundial, em 2001, a proposta de "um outro mundo possível", criada em contraposição ao avanço do neoliberalismo representado pelo Fórum Econômico de Davos ainda é atual. A análise é do empresário Oded Grajew, considerado "pai" do FSM.

"Mais do que nunca um outro mundo é possível. Há dez anos o modelo neoliberal estava no auge, o Meném [Carlos Menén, ex-presidente da Argentina] era recebido como modelo a ser seguido. Hoje o quadro político mudou, principalmente na América Latina. Vários frequentadores do fórum estão hoje nos governos", disse em entrevista à Agência Brasil.

Em dez anos, na avaliação de Grajew, o fórum conseguiu emplacar ideias que se transformaram em políticas públicas e chegou a apresentar as fórmulas para que países saíssem da crise financeira internacional. "Vários países que se salvaram da crise seguiram propostas e recomendações do fórum, como o controle do sistemas financeiro e o fortalecimento da economia no mercado interno", citou.

O legado do maior encontro de movimentos sociais do planeta também inclui a criação de "uma sociedade civil global", que fez o FSM "se espalhar pelo mundo", segundo Grajew, e garante a atuação da sociedade civil em espaços de decisão como as reuniões do G-8 e a Conferência da Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.

Uma década depois da primeira edição, Grajew reconhece que o fórum é visto com menos preconceito pela sociedade, que considerava o encontro esvaziado de propostas concretas. "Quando começou não era levado a sério, era visto com um lugar de gente que só sabe protestar. Hoje é muito mais levado a sério. Não significa que ficou menos revolucionário, as propostas são muito avançadas."

Com o enfraquecimento das políticas neoliberais, o fórum tende a concentrar as críticas e reflexões em novos temas, principalmente a sustentabilidade.

"O outro mundo possível se torna cada vez mais urgente. A questão ambiental é uma ameaça. Temos que ter outro modelo de produção, de consumo e outra relação com a natureza", lista.

Segundo Oded Grajew, entre os desafios do FSM para os próximos anos também está a necessidade de mudanças nos sistemas de financiamentos de governos.

O FSM 10 anos começa na próxima segunda-feira (25) e vai até o dia 29, com cerca de 500 atividades em Porto Alegre e em municípios da região metropolitana da capital gaúcha. A expectativa é que 30 mil pessoas passem pelo megaevento durante a semana.


Fonte: Agência UOL

sábado, 23 de janeiro de 2010

REFLEXÕES: O Dogmatismo X Ceticismo

Vou propor uma entrada neste debate a partir de uma experiência pessoal. Minhas leituras sobre o dogmatismo e sobre o ceticismo suscitavam, à medida que lia, dúvida e mais dúvidas, de tal forma eu não conseguia me satisfazer com uma determinada proposição. Então eu me deparei com uma definição de um teólogo chamado David Steindl-Rast, que expressou suas idéias em um livro intitulado “Pertencendo ao Universo – Exploração das Fronteiras da Ciência da Espiritualidade”, escrito em parceria com o físico Fritjof Capra (Editora Cultrix, São Paulo, 1991). O dogma seria um juízo assumido como verdadeiro, até o momento que fortes evidências pusessem este juízo em questão. Neste caso o dogmatismo seria antes uma estratégia, para permitir a elaboração de novos conhecimentos. Descartes,com sua noção de juízos provisórios para a moral, enquadram-se bem nesta vertente. Qual o lado sombrio desta visão: perdermos o momento de superação do dogma, gerando alguma forma de fundamentalismo. Mas aqui já podemos afirmar que nem todo dogmatismo é fundamentalista. De certo modo boa parte dos empreendimentos humanos parte de alguma forma de certeza não questionada: isto vale para a ciência, para a experiência religiosa e para a vida cotidiana. Os axiomas são verdades assumidas de per si e nem por isto a matemática deixou de evoluir. Os insights científicos (forma de conhecimento direto, não mediado pela experiência) constituem, em determinado momento, juízos não sujeitos à dúvidas.
Um cético para ser coerente com sua visão filosófica pode rejeitar juízos provisórios. Mas a própria rejeição é uma forma de juízo que pode ter forte carga dogmática. E isto nos leva a uma observação em círculo, até que o ceticismo se perceba como uma forma de fundamentalismo. Na história tais situações têm seu ápice numa forma de crise do modelo de conhecimento, também identificado como uma ruptura paradigmática.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Evolução da consciência e crise climática

Texto de:
Maurício Andrés Ribeiro*

Três anos depois de ter lançado o livro “Uma verdade Inconveniente” e o filme que ganhou o Oscar e lhe proporcionou o prêmio Nobel da paz, Al Gore lançou novo livro em 2009: “Nossa Escolha - um plano para resolver a crise climática”. Al Gore considera que há um fio comum que liga três megacrises: a de segurança, a econômica e a climática. Tal fio é a dependência de petróleo e dos combustíveis fósseis. Para ele, a solução para todas essas crises é afastar-se da dependência dos combustíveis fósseis, desenvolvendo outras fontes de energia renováveis.

Para propor soluções para a crise climática, Al Gore mobilizou mais de 30 encontros com cientistas e especialistas de vários países e áreas temáticas. Seus insights e propostas são apresentados no livro, que é uma chamada à ação: não a ação individual, mas a que interfere nos processos políticos, na elaboração de leis e regulamentos e na construção de uma infraestrutura coletiva que dê respostas à crise climática. Assim por exemplo, ele denuncia a desatualização regulatória e problemas na gestão de energia que precisam ser corrigidos com prioridade.

Em 18 capítulos, o livro trata da crise atual, das fontes e de como usamos a energia, dos sistemas vivos, dos obstáculos que precisamos superar. Capítulos específicos tratam das florestas, do solo; da população, suas demandas e impactos ambientais e climáticos.

Al Gore afirma que já temos conhecimento e tecnologia para enfrentar a crise climática, mas que falta despertar a vontade coletiva. A importância da evolução da consciência é enfatizada: “As únicas soluções efetivas e significativas para a crise climática envolvem mudanças massivas no pensamento e comportamento humanos.”

O livro mapeia três tipos de dificuldades associadas à mudança de pensamento que precisam ser superadas: em primeiro lugar, aponta que nosso cérebro foi programado para processar perigos como os que nossos antepassados precisaram enfrentar em sua luta pela sobrevivência. Entretanto, a crise climática não aciona as defesas emocionais que outros riscos despertam: ela é muito abstrata, exige muito conhecimento para ser percebida como uma ameaça, é grande demais e seu impacto parece remoto: “Seus efeitos são distribuídos pela Terra num padrão que torna difícil atribuir uma relação sem ambigüidades de causa e efeito entre o que está acontecendo com a Terra como um todo e o que está acontecendo com um indivíduo num determinado momento e lugar.” Exemplifica ele que “é como não sentíssemos a dor de uma queimadura e por isso continuamos a ser queimados sem perceber.”

Em segundo lugar, e como dificuldades adicionais para a mudança de pensamento, nossos cérebros estão estressados pela overdose de estímulos bombardeada pela propaganda, conduzida a partir da neurociência pelos marqueteiros e publicitários, “os grandes usuários da nova pesquisa do cérebro.” Estresse, ansiedade e preocupação dificultam que se focalize a mente no longo prazo necessário para lidar com a mudança climatica, e fazem com que se priorize o imediato, como ocorre com quem precisa lutar para sobreviver no dia a dia.

Uma terceira dificuldade para a mudança de pensamento é o poder dos lobbies das empresas que lucram com o petróleo e o carvão. Repetindo a estratégia de companhias de cigarro, que negavam que o cigarro fizesse mal a saúde, as empresas de petróleo também fazem campanhas milionárias e doam recursos para eleger políticos. Dúvida e controvérsia são semeadas na mente das pessoas e enfraquecem a motivação para agir de forma convergente. Uma estratégia de desinformação influencia o público, que tende a não querer acreditar que exista tal ameaça.

“O resultado de semear tais dúvidas e controvérsias é paralisar os processos políticos ou atrasá-los, no sentido de postergar ações que contrariem interesses da indústria do petróleo e do carvão.” Al Gore defende o ativismo nas bases para neutralizar essa ação financiada por interesses poderosos. Para tanto, criou uma instituição, a Aliança para a proteção climática WWW.climateprotect.org que divulga o tema na TV, rádio, internet, jornais, revistas.

Ele nos dá pistas de que investir na ecologia mental e da consciência, ecologizar a cultura e a comunicação, são abordagens estratégicas para dar respostas à crise climática, que traz consigo uma crise da evolução.

* Maurício Andrés Ribeiro é autor de Ecologizar e de Tesouros da Índia para a civilização sustentável (http://WWW.ecologizar.com.br) - mandrib@uol.com.br.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Lula conquista prêmio de Estadista Global do Fórum Econômico Mundial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conquistou o "Prêmio Estadista Global", do Fórum Econômico Mundial. Ele vai receber a premiação no próximo dia 29, em Davos (Suíça). É a primeira vez que esse prêmio é entregue nas 40 edições do fórum.

Segundo a assessora do encontro, Lucy Jay-Kennedy, a honraria irá premiar os líderes políticos que usam o seu mandato para aperfeiçoar o estado do mundo.

O ex-secretário da ONU (Organizações das Nações Unidas), Kofi Annan, irá entregar o prêmio ao presidente Lula às 11h30 (8h30 de Brasília) do dia 29 de janeiro. Depois do prêmio, Lula fará um discurso em painel que discute o Brasil.

Para o presidente-executivo do Fórum Econômico, Klaus Schwab, "o presidente do Brasil demonstrou um verdadeiro comprometimento com todos os setores da sociedade".

"Esse comprometimento tem sido de mão e mão integrando crescimento econômico e justiça social. O presidente Lula é um modelo a ser seguido pela liderança global", afirmou Klaus Schwab, em nota.

Neste ano, o fórum terá o tema "repensar, reformular, reconstruir". É esperada a presença de mais de 2.500 líderes de 90 países. "A cooperação multilateral global está no cerne da missão do fórum, para melhorar o estado do mundo", afirma Schwab, que também é fundador do encontro.

Haiti

Segundo a organização do encontro, o futuro do Haiti será uma das principais pautas. "Temos esperança de que podemos apresentar um grande esforço comum para a comunidade mundial mostrando a verdadeira cidadania corporativa global em Davos", diz Schwab.

Mais de 30 chefes de Estado e de governo estarão presentes, segundo a organização. Entre eles, estará o presidente da França, Nicolas Sarkozy, que fará o discurso de abertura.

Outros prêmios

Esse não é o primeiro prêmio internacional de Lula, que reflete o bom momento da imagem do presidente e do Brasil no exterior. No dia 24 de dezembro, o jornal "Le Monde" escolheu o presidente Lula como "Homem do Ano" de 2009. O prêmio foi criado no ano passado pelo jornal francês, que elogiou o brasileiro por dar uma nova imagem à América Latina. "Aos olhos de todos, [Lula] encarna o renascimento [...] de um gigante", afirmou o jornal.

O prêmio, explica o jornal, é resultado também da bem sucedida campanha de Lula para transformar o Brasil em ator internacional. "Diplomacia, comércio, energia, clima, imigração, espaço, droga: tudo o interessa e lhe diz respeito", disse o artigo, assinado por Jean Pierre Langellier, correspondente do jornal no Rio de Janeiro.

Também em dezembro, o jornal espanhol "El País" concedeu a Lula o prêmio de "personagem ibero-americano de 2009". O presidente ainda foi colocado pelo "Financial Times" na lista das 50 personalidades que moldaram a década de 2000. A Lula foi a única pessoa da América Latina a aparecer na lista.

Em maio, Lula recebeu um elogio público do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que durante um encontro do G-20 afirmou que "ele é o cara".


Fonte:
DANIEL RONCAGLIA
colaboração para a Folha Online

Os pecados do Haiti

A democracia haitiana nasceu há um instante. No seu breve tempo de vida, esta criatura faminta e doentia não recebeu nada senão bofetadas. Era uma recém-nascida, nos dias de festa de 1991, quando foi assassinada pela quartelada do general Raoul Cedras. Três anos mais tarde, ressuscitou. Depois de haver posto e retirado tantos ditadores militares, os Estados Unidos retiraram e puseram o presidente Jean-Bertrand Aristide, que havia sido o primeiro governante eleito por voto popular em toda a história do Haiti e que tivera a louca idéia de querer um país menos injusto.

O voto e o veto

Para apagar as pegadas da participação estadunidense na ditadura sangrenta do general Cedras, os fuzileiros navais levaram 160 mil páginas dos arquivos secretos. Aristide regressou acorrentado. Deram-lhe permissão para recuperar o governo, mas proibiram-lhe o poder. O seu sucessor, René Préval, obteve quase 90 por cento dos votos, mas mais poder do que Préval tem qualquer chefete de quarta categoria do Fundo Monetário ou do Banco Mundial, ainda que o povo haitiano não o tenha eleito com um voto sequer.

Mais do que o voto, pode o veto. Veto às reformas: cada vez que Préval, ou algum dos seus ministros, pede créditos internacionais para dar pão aos famintos, letras aos analfabetos ou terra aos camponeses, não recebe resposta, ou respondem ordenando-lhe:

- Recite a lição. E como o governo haitiano não acaba de aprender que é preciso desmantelar os poucos serviços públicos que restam, últimos pobres amparos para um dos povos mais desamparados do mundo, os professores dão o exame por perdido.

O álibi demográfico

Em fins do ano passado, quatro deputados alemães visitaram o Haiti. Mal chegaram, a miséria do povo feriu-lhes os olhos. Então o embaixador da Alemanha explicou-lhe, em Port-au-Prince, qual é o problema:

- Este é um país superpovoado, disse ele. A mulher haitiana sempre quer e o homem haitiano sempre pode.

E riu. Os deputados calaram-se. Nessa noite, um deles, Winfried Wolf, consultou os números. E comprovou que o Haiti é, com El Salvador, o país mais superpovoado das Américas, mas está tão superpovoado quanto a Alemanha: tem quase a mesma quantidade de habitantes por quilômetro quadrado.

Durante os seus dias no Haiti, o deputado Wolf não só foi golpeado pela miséria como também foi deslumbrado pela capacidade de beleza dos pintores populares. E chegou à conclusão de que o Haiti está superpovoado… de artistas.

Na realidade, o álibi demográfico é mais ou menos recente. Até há alguns anos, as potências ocidentais falavam mais claro.

A tradição racista
Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando conseguiram os seus dois objetivos: cobrar as dívidas do City Bank e abolir o artigo constitucional que proibia vender plantações aos estrangeiros. Então Robert Lansing, secretário de Estado, justificou a longa e feroz ocupação militar explicando que a raça negra é incapaz de governar-se a si própria, que tem “uma tendência inerente à vida selvagem e uma incapacidade física de civilização”. Um dos responsáveis da invasão, William Philips, havia incubado tempos antes a ideia sagaz: “Este é um povo inferior, incapaz de conservar a civilização que haviam deixado os franceses”.

O Haiti fora a pérola da coroa, a colónia mais rica da França: uma grande plantação de açúcar, com mão-de-obra escrava. No Espírito das Leis, Montesquieu havia explicado sem papas na língua: “O açúcar seria demasiado caro se os escravos não trabalhassem na sua produção. Os referidos escravos são negros desde os pés até à cabeça e têm o nariz tão achatado que é quase impossível deles ter pena. Torna-se impensável que Deus, que é um ser muito sábio, tenha posto uma alma, e sobretudo uma alma boa, num corpo inteiramente negro”.

Em contrapartida, Deus havia posto um açoite na mão do capataz. Os escravos não se distinguiam pela sua vontade de trabalhar. Os negros eram escravos por natureza e vagos também por natureza, e a natureza, cúmplice da ordem social, era obra de Deus: o escravo devia servir o amo e o amo devia castigar o escravo, que não mostrava o menor entusiasmo na hora de cumprir com o desígnio divino. Karl von Linneo, contemporâneo de Montesquieu, havia retratado o negro com precisão científica: “Vagabundo, preguiçoso, negligente, indolente e de costumes dissolutos”. Mais generosamente, outro contemporâneo, David Hume, havia comprovado que o negro “pode desenvolver certas habilidades humanas, tal como o papagaio que fala algumas palavras”.

A humilhação imperdoável
Em 1803 os negros do Haiti deram uma tremenda sova nas tropas de Napoleão Bonaparte e a Europa jamais perdoou esta humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos tinham conquistado antes a sua independência, mas meio milhão de escravos trabalhavam nas plantações de algodão e de tabaco. Jefferson, que era dono de escravos, dizia que todos os homens são iguais, mas também dizia que os negros foram, são e serão inferiores.

A bandeira dos homens livres levantou-se sobre as ruínas. A terra haitiana fora devastada pela monocultura do açúcar e arrasada pelas calamidades da guerra contra a França, e um terço da população havia caído no combate. Então começou o bloqueio. A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém comprava do Haiti, ninguém vendia, ninguém reconhecia a nova nação.

O delito da dignidade

Nem sequer Simón Bolívar, que tão valente soube ser, teve a coragem de firmar o reconhecimento diplomático do país negro. Bolívar conseguiu reiniciar a sua luta pela independência americana, quando a Espanha já o havia derrotado, graças ao apoio do Haiti. O governo haitiano havia-lhe entregue sete naves e muitas armas e soldados, com a única condição de que Bolívar libertasse os escravos, uma idéia que não havia ocorrido ao Libertador. Bolívar cumpriu com este compromisso, mas depois da sua vitória, quando já governava a Grande Colômbia, deu as costas ao país que o havia salvo. E quando convocou as nações americanas à reunião do Panamá, não convidou o Haiti mas convidou a Inglaterra.

Os Estados Unidos reconheceram o Haiti apenas sessenta anos depois do fim da guerra de independência, enquanto Etienne Serres, um gênio francês da anatomia, descobria em Paris que os negros são primitivos porque têm pouca distância entre o umbigo e o pênis. A essa altura, o Haiti já estava em mãos de ditaduras militares carniceiras, que destinavam os famélicos recursos do país ao pagamento da dívida francesa. A Europa havia imposto ao Haiti a obrigação de pagar à França uma indemnização gigantesca, a modo de perda por haver cometido o delito da dignidade.

A história do assédio contra o Haiti, que nos nossos dias tem dimensões de tragédia, é também uma história do racismo na civilização ocidental.

(Carta Maior)

A questão ambiental é mais importante que o desenvolvimento econômico é a opinião de 64% dos brasileiros.

A preservação ambiental é fundamental, ainda que prejudique um pouco o crescimento econômico do Brasil. Esta é a opinião de 64% da população, de acordo com pesquisa realizada pelo IBOPE Inteligência em dezembro de 2009, a pedido da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). O estudo teve o objetivo de medir e analisar o conhecimento, o interesse e as opiniões dos brasileiros sobre questões ambientais.

Segundo os resultados, a população está interessada (61%) e preocupada (60%) com questões relacionadas ao meio ambiente. A maior parte (78%) dos entrevistados considera-se razoavelmente informada sobre o aquecimento global e julga ser o homem o principal responsável pelo fenômeno climático (75%), devido ao aumento da emissão de gases na atmosfera, à poluição e ao desmatamento.

Para 69% da população, o aquecimento global é um problema imediato, que deve ser combatido por todos, embora 50% entendam que o maior responsável pelo aquecimento global seja o conjunto dos países ricos.

Entre os principais hábitos que a população brasileira afirma já estar adotando para combater o fenômeno estão a economia de água (59% declaram economizar água como forma de reduzir o aquecimento global), de energia (50%) e adesão à coleta seletiva de lixo (41%).

Finalmente, avaliando a ação governamental no tema, 68% da população entende que o governo Lula trata com muita ou alguma importância o tema da água e do meio ambiente.

Sobre a pesquisa
Período: A pesquisa foi realizada entre os dias 4 e 8 de dezembro de 2009.
Amostra: Foram realizadas 2.002 entrevistas com brasileiros de 16 anos ou mais em 143 municípios do país.

Margem de erro: É de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, considerando um intervalo de confiança de 95%.

Fonte: IBOPE Inteligência

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Antropologia Filosófica em um debate acadêmico. Confira:

Assunto: 24/09/2008 - Fórum I
Postada por: JUAN ANTONIO ACHA (100278)

Fórum I –Sempre interessou ao homem saber quem ele é. Você considera que a pergunta “Quem é o homem?”, que impulsiona o estudo da Antropologia Filosófica equivale ou é sinônimo da pergunta: “Que é o homem?”, que motiva o estudo das ciências positivas? Você consegue explicar qual é o lugar ou função da Antropologia Filosófica.



Assunto: 25/09/2008 - E se toda antropologia por filosófica?
Postada por: FREDERICO OZANAM DRUMMOND (1007653)

"Ou seja, a antropologia filosófica é uma antropologia da essência e não das características humanas” Tenho dificuldade de aceitar esta definição. Falar de uma antropologia da essência, não distancia o sentido mesmo da antropologia como estudo da cultura humana, incluindo sua dimensão ontológica, no se fazer humano por suas regras, símbolos, tabus, relações com os pares e com a natureza ? O "Ser" humanos se processa na ruptura fundamental entre estes entes e a natureza: esta ruptura conquanto simbólica é também metafísica. O ser humano é um ser cultura.
Um fraternal abraço


Assunto: 26/09/2008 - congregando...
Postada por: WALQUIRIA TERCIA SIQUEIRA (1006295)

Caro Companheiro Drumond, congrego do seu pensar, não vejo uma divisão da antropologia, esta objetiva o homem como um todo o seu princípio, histórico,social, cultural e cognitivo.Diferente das demais ciências específicas, como a psicologia, o que concebo é que há um embasamento filosófico nas interpretações antropológicas.Wal


Assunto: 27/09/2008 - Fred...
Postada por: IEDA DO CARMO PICON (1013436)

O que fazer então?

Assunto: 02/10/2008 - Prosseguir... Ieda
Postada por: FREDERICO OZANAM DRUMMOND (1007653)

Olá Ieda,
Postei um comentário abaixo para Fernando. É uma pequena síntese do que entendo por este debate.
Mas qualquer tentativa de uma resposta conclusiva neste momento pode ser apressada.


Assunto: 28/09/2008 - Natureza e cultura
Postada por: FERNANDO DONIZETE FERREIRA (1007362)

Frederico, penso que falar da essência do homem não o distancia da cultura, pois não podemos imaginar a manifestação cultural como algo impensado ou absolutamente espontâneo.
A manifestação cultural é tudo aquilo que o homem adquire ou produz com o uso de suas faculdades, ou seja, tudo aquilo que através da ciência e da técnica de alguma maneira ele tira da natureza; enquanto aquela ação representa o produto de uma coletividade.
Portanto, se não houver um conhecimento por parte daquela comunidade que produz a cultura de quem eles são, e se não houver uma reflexão acerca do que querem transmitir com suas manifestações, estas não farão sentido.
Abraço.


Assunto: 02/10/2008 - De fato Fernando, porém...
Postada por: FREDERICO OZANAM DRUMMOND (1007653)

Então Fernando, o que estou dizendo é que a cultura humana (que se processa na história humana) é a natureza fundamental de sua essência. Desta forma porque falar de uma antropologia filosófica e não de uma metafísica antropológica? Desta forma estarei introduzindo uma reflexão de natureza ontológica no estudo da cultura humana.
O que te parece?


Assunto: 03/10/2008 - Metafísica Antropológica
Postada por: DEBORAH MARIA APARECIDA RAMOS GUELFI PERRONE (1005901)

Gostei!!!
Mas então, o que é mesmo Antropologia Filosófica?
Abs

Assunto: 04/10/2008 - O que te parece?
Postada por: LAURA RIZZI RANCOLETA (1012721)

Estou invadindo a pergunta do Fernando, o que parece?
Uma loucura Drumond....
vários conceitos complexos para se pensar:
cultura, natureza, essência, antropologia filosófica, metafísica antropológica, ontologia, cultura humana. Será que você apenas não inverte o percurso do conhecimento e do raciocínio? talvez chegaremos ao mesmo destino....


Assunto: 06/10/2008 - Minhas suspeitas...
Postada por: FREDERICO OZANAM DRUMMOND (1007653)

Laura,

1 - Theilhard Chardin, antropólogo, paleontólogo, teólogo, filósofo entre outras áreas de domínio, embora não citado em nossa apostila, constitui o que considero um dos mais importantes pensadores que refletem sob estas dimensões do humano: como filum, como cultura e co-criador divino do universo. Para Chardin a Consciência constitui o estofo de toda a criação. Ele foi considerado por alguns como Panteista, por atribuir esta dimensão do Ser como atributo essencial da vida. A consciência reflexa constitui o ponto de auto observação do Universo em sua evolução. Talvez por este caminho possamos fazer uma filosofia da cultura humana, que é também um domínio da metafísica.

2 - Mas a impressão que tenho é de que o conhecimento chamado de Antropologia Filosófica constitui um caminho privilegiado do pensamento cristão, que em alguns momentos confunde-se com a própria teologia.


Assunto: 04/10/2008 - A antropologia ela é filosófica, histórica....
Postada por: LAURA RIZZI RANCOLETA (1012721)

Então Drummond, toda antropologia é filosófica, mas entendo que enquanto filosófica, ela reflete sobre a compreensão do homem num dado momento histórico.
Então, por exemplo, o homem foi objeto de estudo na idade média: partindo de pressupostos filosóficos daquela época, ao repensarmos seus paradigmas - pois temos o distanciamento do tempo a nosso favor - temos uma amplificação das idéias do que é o homem, não temos a visão de um pensador, mas de vários, temos o contexto, etc.
Deste modo,acho importante distinguir a idéia "filosófica" corrente (como filosofia ser uma prática reflexiva ampla); do conceito de reflexão do homem que pensa sobre o que ele foi historicamente (passado), e o que ele é (presente).
No entanto, não podemos desconsiderar que ele também não é só histórico. Ele é um ser ontológico, ele busca compreender os próprios mecanismos de seu ser.Neste sentido, também pode refletir sobre as características humanas também, mas não somente.
Além de ontológico a antropologia filosófica também é metafísica, pois invade o mundo das possibilidades: e se o meu ser for um engodo? se a realidade que julgo "real" não passar de uma fantasia? se o que entendo e reconheço como atributos do homem não passarem de fantasias de minha mente?
A antropologia filosófica amplifica o conceito de homem em sua totalidade: ela pergunta - o que é o homem? (essência)- quem é o homem (abarcando outras dimensões), qual é o sentido da existência?


Assunto: 06/10/2008 - A antropologia
Postada por: JOSE CRISTOVAM MOREIRA DE SANTANA (1006860)

Frederico. De modo geral "antropologia" designa o conjunto, das ciências humanas, procurando abranger o fenômeno humano o mais globalmente possível, no conjunto das manifestações. Toda ciência é de certo modo antropologia. Não há ciência pelo homem que não seja ciência do homem, reveladora do homem. Fazer ciência é um certo modo de ser homem.
Um abraço,


Assunto: 06/10/2008 - O que é o ser cultural? Em que ele difere do ser natural?
Postada por: FREDERICO OZANAM DRUMMOND (1007653)

Prezado Cristovam,

Você é sempre muito elegante em suas reflexões. E, em geral, eu assino em baixo. Todavia, minha dúvida persiste. Vejamos:
Em que pese todas as classificações que existem para a Antropologia, hoje, o estudo desta ciência desenvolveu-se como o estudo da cultura humana e que, de forma, muito elementar, está ligada a sua estrutura simbólica: os tabus, laços de parentesco, produção artística, etc. Mas na sua origem a Antropologia teve mesmo dificuldade em definir seu objeto de investigação. Ela às vezes se confunde com a etnografia, com a paleontologia, com o estudo da evolução filo-genético dos seres humanos. Mas ainda assim veja a antropologia com sua especificidade: o estudo da cultura humana, como o fazer humano (sistema de trocas simbólicas).
Se vamos incorporar a filosofia a este domínio qual será nossa pergunta fundamental? Por exemplo: o que é isto que chamamos cultura humana, qual a essência desta cultura, qual seu traçado fenomenológico? O que é o ser cultural? Em que ele difere do ser natural? Estas seriam questões para uma antropologia filosófica. Gostaria de ouvir sua opinião, mesmo que seja no próximo fórum ou na lista.

Um forte abraço


Assunto: 06/10/2008 - Humus x Anthropos
Postada por: JOSE CRISTOVAM MOREIRA DE SANTANA (1006860)

Frederico. Aqui é apena uma reflexão pessoal. Costuma-se atribuir á palavra homem duas origens. A primeira do grego ânthropos - que significa rosto de varão -, por oposição à palavra homem enquanto o indivíduo masculino, da espécie humana, e quer dizer: que tem valor, virtude e qualidade. Nessa concepção, homem distinguiu-se dos demais seres. A segunda, do latin humus, que significa terra. A Antropologia Cultural: diz que o homem é possuidor e criador da cultura, interessando-se pelas idéias, pelas manifestações artísticas revelados no conhecimento a cerca das habilidades, das técnicas, das normas de comportamento e do modo de ser de cada comunidade; A Antropologia Filosófica: procura refletir sobre a concepção do homem das diferentes períodos da história da comunidade e nas diversas filosofias. Aqui está uma possibilidade.
Um abraço,
Pe. Cristovam