Após uma trajetória dedicada à economia ecológica, à filosofia e à ciência política, o Theia Viva inicia uma nova fase. O blog passa a divulgar os Cadernos de Pesquisa em Psicanálise, com estudos sobre subjetividade, sofrimento psíquico e desafios clínicos contemporâneos. O percurso dialoga com Freud, Lacan, as tradições inglesas e autores que abrem novas fronteiras para a psicanálise.
sábado, 14 de novembro de 2009
POETAS DO MUNDO UNEM-SE PARA REAFIMAR A PAZ
A sede de Poetas Del Mundo na capital mineira passará a funcionar provisoriamente na AMI – Associação Mineira de Imprensa.Deslanieve Daspet, uma das organizadores do evento no Brasil, declarou que Poetas Del Mundo forma hoje uma Nação irmanada na poesia, e cujo Chefe de Estado é o poeta chileno Luis Ariaz Manzo. Há uma previsão de se formar um corpo diplomático nacional para coordenar todas nas ações de Poetas Del Mundo no Brasil e no mundo.O Brasil é país de destaque no movimento contribuindo com o maior numero de poetas.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
TRECHO DA ENTREVISTA COM IGNACY SACHS, UM ECOSSOCIOECONOMISTA.
Ignacy Sachs - Desenvolvimento é um conceito relacionado a critérios sociais e ambientais. Eles andam juntos em busca da viabilidade econômica. Existe a condicionalidade ecologia, que requer o uso do intelecto para organizar as decisões de maneira a fazer bom uso dos recursos naturais. Rotas reais de desenvolvimento trazem resultados sociais positivos e não se traduzem por resultados ambientais profundamente negativos. Rotas de crescimento econômico, que são destruidoras do meio ambiente e levam a desigualdades sociais cada vez mais avassaladoras, não podem ser chamadas de desenvolvimento. Trata-se, no melhor dos casos, de um mau desenvolvimento.
Carta Verde - É possível acreditar na implantação de uma economia de baixo carbono num mundo que gira em torno do petróleo e de toda sua cadeia produtiva?
Ignacy Sachs - Construir uma economia de baixo carbono é construir uma estratégia de saída progressiva do petróleo, tarefa que vai levar décadas e que também não deve subestimar o poder de fogo das forças conservadoras no Brasil e no mundo. A biocivilização ainda está sendo inventada e requer planejamento a partir de agora. Os geólogos nos dizem que estamos nos aproximando do pico do petróleo. Quando ele se tornar mais raro e sua extração mais difícil, os preços altos vão nos empurrar para a busca de soluções mais viáveis. O problema é que, nos últimos 30 anos de contrarreforma neoliberal, perdemos a capacidade de pensar a longo prazo. Estamos atrelados ao imediatismo, pretendendo que o mercado regule tudo. O mercado é míope e insensível às questões social e ambiental. Então precisamos reintroduzir o hábito de planejar para fazer a transição para a economia de baixo carbono.
Fonte:http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/o-paradigma-do-futuro/
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
O MURO
O URRO DO MURO
O MURRO DO BURRO
O BURRO E SEU URRO
COM BURRO
COM URRO
TODOS OS OS MUROS
O MURO ME AMA
O MURRO ME QUER
O MURO EM MIM INSTAURA
SUA PRECARIEDADE.
QUE URRO É ESTE
QUE SOE HUMANAMENTE
EM ERRES?
EM SUA PUJANÇA
O MURRO FEZ-SE SHOPPING
domingo, 8 de novembro de 2009
COMO PROFESSOR DE FILOSOFIA NÃO POSSO CONTEMPORIZAR COM O PRECONCEITO DO CAETANO VELOSO
Recado a Caetano e FHC
Com ironia e sem citar nomes, o presidente Lula respondeu críticas sobre a sua falta de formação universitária e mandou recados ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “Se tem uma coisa inteligente é a classe operária. Tem muito intelectual no Brasil que pensa que não. (...) Essa semana eu fui chamado de analfabeto (...) e nessa mesma semana eu ganhei o título de estadista do ano”.
A declaração foi uma referência ao fato de que, no último dia 5, em uma entrevista, o cantor Caetano Veloso chamou o presidente de analfabeto e disse que, ao contrário da Marina Silva e do Barack Obama, Lula não saberia falar e seria cafona e grosseiro.
“Tem gente que acha que a inteligência está ligada à quantidade de anos no colégio. Não tem nada mais burro que isso. A universidade dá conhecimento. Inteligência é outra coisa. E a política é uma das ciências que exigem mais inteligência do que conhecimento. Inteligência para saber montar equipe, tomar decisões, não está nos livros, mas no caráter e na sensibilidade”, completou. Com ironia, ele conclui: “mas não importa. As pessoas falam o que querem e ouvem o que não querem. A vida é dura”.
Soltando indiretas para Fernando Henrique Cardoso, que no último domingo divulgou artigo falando de um “subperonismo” no governo petista, Lula alfinetou: “Compreendo o ódio, porque um intelectual ficar assistindo um operário que só tem o quarto ano primário ganhar tudo que ele imaginava que ele pudesse ganhar e não ganhou...”, disse Lula, interrompido por palmas e gritos de guerra.
“Tem presidente que foi estudar dois, três anos lá fora. Eu não”, disse o presidente, afirmando que, diferente de outros presidentes, ele precisou provar desde o dia que nasceu que tem competência. “Tinha clareza, e o PCdoB sabe disso, de que se fracassássemos, levaria mais 150 anos para outro operário ser presidente”, colocou.
Ainda fazendo referência a Caetano, Lula declarou, com graça, que “um país governado por um analfabeto vai terminar realizando um governo que mais investiu em educação”. E reposicionou o alvo no ex-presidente tucano: “Estamos fazendo uma vez e meia o que eles não fizeram em um século. (...) O Fernando Henrique Cardoso achava que nós seríamos um fracasso e que ele poderia voltar”.
RELFLEXÕES IMPERTINENTES.
2 - Conhecemos a natureza autofágica do capitalismo. Seus mecanismos não funcionam por boas ou más intenções, mas pela natureza de sua razão de ser (maximização lucros e propriedade privada dos meios de produção). Eliminando estes fundamentos não é mais do capitalismo que estaremos falando. O planeta está morrendo pela ação do capitalismo. O Protocolo de Quioto apenas organiza esta autofagia. Porque devemos perseverar na manutenção de um modo de produção que nos liquida?
3 - O capitalismo é hegemônico, mas não é monolítico. Outras formas de organização da economia organizam-se de forma não-hegemônica no espaço da democracia brasileira. Em boa medida do governo do presidente Lula auxiliou na expansão deste novo modo de produção, que prevê um estado democrático, popular e interventor.
4 - Os sindicatos, efetivamente comprometido com a luta democrática, preciam continuar disputando novos espaço dentro do Estado e em instâncias como Fundos de Pensão, Conselhos Municipais de Desenvolvimento e outros espaços políticos.
5 - Em seu famoso poema, Nosso Tempo, Carlos Drummond concluia dizendo:
O poeta
declina de toda responsabilidade
na marcha do mundo capitalista
e com suas palavras, intuições, símbolos e outras armas
promete ajudar
a destruí-lo
como uma pedreira, uma floresta,
um verme.
6 - Estou com o poeta. Assim: FORA A CUTRALE. MINHA SOLIDARIEDADE AO MST.
sábado, 7 de novembro de 2009
CAROS AMIGOS DE NOVEMBRO MOSTRA A RELAÇÃO DA REVISTA VEJA COM A DITADURA MILITAR.
Texto recebido por e-mail. A qualidade e seriedade da publicação Caros Amigos merce este destaque. A edição de novembro está saindo com estas matérias:
Destacamos na capa duas ótimas entrevistas exclusivas:
Uma com a juíza Kenarik Boujikian Felippe, que foi presidente da Associação Juízes
para a Democracia e tem se destacado na sua atividade profissional e na sua
militância em defesa dos direitos humanos.
A outra é com o jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano, feita por Fania Rodrigues, na qual ele analisa a atual movimentação política da América Latina.
Incluímos também nas chamadas de
capa:
1) Uma reportagem de Lucia Rodrigues sobre a relação da revista VEJA com os arapongas da ditadura militar, o fato de a publicação da Editora Abril veicular dossiês falsos de fontes altamente questionáveis.
2) Uma reportagem de Marcelo Salles sobre os interesses comerciais e econômicos que estão por trás das Olimpíadas do Rio de Janeiro.
3) Uma reportagem de Julio Delmanto sobre as mudanças de políticas no enfrentamento das drogas.
4) Um artigo do José Arbex Jr. sobre a fome no mundo e a atuação das multinacionais do agronegócio, como a Cutrale.
Alem disso, a edição de novembro inclui outras excelentes
matérias jornalísticas:
* Gershon Knispel denuncia a falsificação da história da Segunda Guerra Mundial nas páginas da revista Superinteressante.
* Anelise Sanchez fala sobre os privilégios da Igreja Católica na gestão do Estado na Itália.
* Arturo Hartmann relata os problemas dos palestinos reassentados no Brasil.
* Maria Lucia Fattorelli analisa a importância da CPI da Dívida Pública.
*
Ferréz conta a história do dramático despejo das famílias acampadas em terreno
do Capão Redondo.
* O belíssimo ensaio fotográfico de Dora Martins no Timor-Leste.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
SUPERCAPITALISMO: Livro de Robert Reich, comentando por Ladislau Dowbor
O texto abaixo é longo, fora dos padrões de inserção em blogs. Todavia resolví reproduzí-lo integralmente. Fui aluno do professor Ladislau Dowbor, tempo suficiente para considerá-lo uma dos grandes pensadores da atualidade. Ele é autor deste texto publicado no site Mercado Ético. ( http://mercadoetico.terra.com.br/)
Já fizemos aqui uma nota sobre um livro anterior de Robert Reich, “O futuro do sucesso”, de 2001, que analisa dominantemente as relações do mundo do trabalho. O presente estudo, “Supercapitalism”, é mais ambicioso, ao focar o conjunto das nossas relações econômicas, sociais e culturais, mas parte do mesmo capital de conhecimento que lhe foi dado nos anos que passou tentando implementar uma política mais digna nas relações econômicas, no quadro do governo Clinton. Reich sente na ponta dos dedos como se dão as estruturas de poder realmente existentes no que chamou de Supercapitalismo. Este supercapitalismo, na realidade, é simplesmente o vale-tudo econômico e financeiro que se instalou no quadro do que temos chamado de globalização, e cuja lógica interna o autor destrincha de maneira impressionantemente coerente. Não é aqui um comentário simpático sobre um livro simpático: Reich nos traz realmente uma compreensão das dinâmicas, com inúmeros exemplos práticos de empresas e comportamentos bem documentados, e o tipo de desafios que enfrentamos torna-se muito mais claro. Além do mais, Reich escreve de maneira excepcional: um comentarista do San Francisco Magazine escreveu sobre esta obra: “Reich faz parte de uma espécie muito exótica: um economista que sabe escrever”. Reich parte dos bastidores: não vai culpar Margareth Thatcher, Ronald Reagan ou Milton Friedmann pelo fim dos Anos Dourados (1945-1975, que ele aliás qualifica de anos “não tão dourados”), e sim vai buscar as causas nas transformações tecnológicas, na globalização resultante, e no vale-tudo das guerras intercorporativas que de certa forma aniquilou as capacidades dos governos fazerem política econômica no sentido amplo. E o autor analisa extensamente a base política para este processo: o consumismo dos prósperos, que falam mal das truculências da Wal-Mart mas aproveitam os seus preços, e o interesse dos investidores que adoram o meio-ambiente mas compram ações da Exxon-Mobile porque rendem mais. Gerou-se assim um esquizofrenia social, na medida em que como consumidores queremos o melhor negócio, como investidores o melhor retorno, enquanto como cidadãos queremos uma sociedade decente e sustentável. No centro da dinâmica, temos a apropriação dos políticos através do financiamento privado das campanhas, e a monopolização da agenda do congresso e do executivo pelos lobbies dos grandes grupos empresariais, com as suas gigantescas campanhas (a indústria farmacêutica contra a regulação dos medicamentos, da indústria da saúde contra a saúde pública etc.). O mecanismo de mercado, que sobrevivia nos “Anos não tão dourados” mediante acordos relativamente equilibrados entre empresas, Estado e sindicatos, alimentando uma ampla classe média, já não nos protege. Wal-Mart (e outros tantos) esmagam os produtores ao usar o seu poder para reduzir os prêços na origem, e navegam na satisfação dos compradores e dos acionistas. Os jornais louvam. Os consumidores se lambuzam. Gera-se uma classe de rentistas prósperos e a correspondente concentração de renda. O meio-ambiente sofre e o consumismo leva a impasses planetários. Mas o baile continua. O espaço político local de regulação desaparece. “Pittsburgh já abrigou as fábricas e operários que a Alcoa então precisava. Mas agora, esses tipos de bens podem ser encontrados em qualquer lugar, porque as cadeias globais de suprimentos da Alcoa os fornecem sem esforço nenhum. Executivos da empresa negociam rotineiramente com o mundo todo. Tudo o que a companhia precisa pode ser encontrado em Nova York, onde os executivos da Alcoa têm acesso imediato aos melhores bancos, advogados, consultores e profissionais de comunicação. Esse quadro de especialistas, junto com o time da Alcoa, implanta uma cadeia global de suprimentos e colocam no mercado os produtos e serviços da companhia de forma a satisfazer os investidores (representados por Wall Street) e os consumidores da Alcoa (representados pelo Wal-Mart e outras grandes redes varejistas) na sua luta diária para obter grandes ganhos”. (119) Reich, por experiência adquirida, mas também por pesquisa, tem forte desconfiança de que os comportamentos irão mudar pela boa vontade das corporações. Inclusive, segundo ele, porque os investidores “não sabem ou não se importam”(176). O autor cosntata que “A maioria dos ‘fundos socialmente responsáveis’conta com a participação de praticamente todas as grandes empresas em uma típica carteira de fundo mútuo. Em 2004, trinta e três fundos socialmente responsáveis estavam ligados às ações do Wal-Mart, vinte e três ao Halliburton, quarenta à ExxonMobil, e quase todos à Microsoft, em sua tentativa de resistir ao controle de mercado. No início dos anos 2000, muitos possuíam ações da Enron, da WorldCom e da Adelphia, e nenhuma dessas empresas eram conhecidas por prestarem serviços públicos.”(177) Malvadeza das corporações? Não, lógica do sistema. Permite remunerar bem os acionistas e oferece bons preços aos consumidores. Isto articula a poderosa minoria dos que concentram ações, e uma classe mais ampla de afortunados que têm capacidade de compra. E um CEO que não alimentar estes interesses perde o cargo.A solução não está (ou não apenas) na empresa ser decente, mas em haver leis que assegurem que esta decência seja respeitada, e não dependa da boa vontade passageira de um executivo. Inclusive, porque na dinâmica atual do mercado, quem incorrer em custos maiores por respeitar determinados valores sociais, vai perder mercado, e logo perder o emprego. Reich tem aqui um surto de sinceridade: “Por muitos anos tenho pregado que responsabilidade social e lucro são conquistados no longo prazo. Isso porque uma empresa que respeita e valoriza seus funcionários, a comunidade e o meio ambiente certamente ganha o respeito e a gratidão dos funcionários, e de toda a comunidade - o que, eventualmente, ajuda o bottom line. Mas eu nunca consegui provar essa proposição, nem encontrar um estudo que a confirme.” (171) As soluções, segundo Reich, não estão na recuperação da ética corporativa, mas no resgate da capacidade do Estado negociar os pactos necessários para uma sociedade mais equilibrada. Isto envolve, antes de tudo, tirar o dinheiro corporativo de dentro das campanhas eleitorais, o dinheiro do lobby do gabinete dos senadores e dos juízes, resgatando um equilíbrio que desapareceu, entre as nossas dimensões como consumidores, aplicadores financeiros, e cidadãos. A perda da nossa dimensão cidadã leva à deterioração dos nossos interesses como sociedade, e exacerbação dos nossos interesses como indivíduos. “Se a maioria das pessoas sempre tem duas opiniões sobre o Supercapitalismo, porque então o lado dos consumidores-investidores sempre ganha? A resposta é que os mercados se tornaram extremamente eficientes em oferecer as melhores ofertas para os desejos individuais, mas são muito ruins em atingir os objetivos que gostaríamos de alcançar juntos. Enquanto o Wal-Mart e Wall Street agregam as exigências dos investidores e consumidores em formidáveis blocos de poder, as instituições que agregam os valores dos cidadão estão caindo.” (126)Alternativas?
São variadas e interessantes, e aqui aflora o ministro do trabalho que foi: “A única maneira para os cidadãos vencerem os consumidores e investidores em si mesmas é por meio de leis e regulações que façam de nossas compras e investimentos uma escolha ao mesmo tempo social e pessoal. Uma mudança na legislação trabalhista que facilite a negociação de melhores condições para os trabalhadores pode, por exemplo, aumentar ligeiramente o preço de produtos e serviços que se compra - especialmente nos serviços locais que não fazem parte da concorrência global. Meu consumidor interior não vai gostar muito disso, mas o cidadão em mim acredita que esse é um preço justo a se pagar. Eu também defendo um pequeno imposto sobre as vendas de ações, com o objetivo de diminuir ligeiramente o movimento de capitais para que as pessoas e as comunidades tenham um pouco mais de tempo para se adaptar às novas circunstâncias. Isso poderia reduzir o retorno no meu fundo de aposentadoria por uma pequena fração, mas o cidadão em mim acha que vale a pena. Pela mesma razão, parece-me que deveria haver “disjuntores” para prevenir que o número de trabalhadores em uma empresa grande e rentável caia mais do que uma certa proporção no decorrer de um ano.” (127) “Eu não iria tão longe na re-regulação do setor de transportes aéreos ou em estabelecer um livre comércio com a China e a Índia - isso custaria-me muito mais como consumidor - mas eu apoiaria mais um seguro-desemprego combinado com um seguro-salarial e treinamento profissional para aliviar a dor dos trabalhadores que sofrem com as consequências da desregulamentação do comércio. E eu acho que os tratados comerciais deveriam exigir que todas as nações participantes permitam que seus cidadãos organizem sindicatos e estabeleçam salários mínimos, que seriam a metade do seu ganhos médios. Eu também apoiaria uma licença familiar remunerada para que os trabalhadores possam atualizar seus conhecimentos ou terem tempo para cuidar de um recém-nascido ou de um parente doente. Estas disposições podem acabar por me custar algum dinheiro, mas o cidadão em mim acredita que elas valem o preço. Não sei como vamos criar bons empregos de classe média se nossas escolas não forem muito melhores - o que exigirá pagamento bom o suficiente para atrair jovens homens e mulheres talentosos para as salas de aula do nosso país (a lei da oferta e da procura não foi revogada na porta da escola) e contratar mais professores para que menos crianças fiquem em cada sala de aula. Como pagar isso? Por meio de um sistema fiscal mais progressivo. O salário líquido de CEOs, banqueiros, gestores de fundos e celebridades chegou a um nível tão astronômico que um imposto mais elevado sobre a remuneração não desencorajaia as pessoas talentosas de perseguir esses trabalhos. “Finalmente, eu dissociaria a saúde e o trabalho, e utilizaria a poupança fiscal - lembre-se que um plano de saúde pago pelo empregador é um benefício livre de impostos - para dar acesso ao seguro saúde a todos, sem exceção.”
Há muitas outras sugestões no texto. No conjunto, buscam o reequilibramento geral do sistema através do resgate da autonomia e capacidade negociadora do Estado, e do resgate da nossa dimensão cidadã, relativamente às nossas dimensões como consumidores e aplicadores financeiros. A meu ver, trata-se de um livro de fundamental importância. Li durante um fim de semana, texto bem escrito se lê com prazer, e o objetivo do livro, aliás, é justamente devolver esta dimensão às nossas vidas. Ladislau Dowbor, é doutor em Ciências Econômicas pela Escola Central de Planejamento e Estatística de Varsóvia, professor titular da PUC de São Paulo e da UMESP, e consultor de diversas agências das Nações Unidas. É autor de “Democracia Econômica”, “A Reprodução Social”, “O Mosaico Partido”, pela editora Vozes, além de “O que Acontece com o Trabalho?”(Ed. Senac) e co-organizador da coletânea “Economia Social no Brasil” (ed. Senac) Seus numerosos trabalhos sobre planejamento econômico e social estão disponíveis no site http://dowbor.org.