quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

GUERRA? ISTO É UM MASSACRE.

Chamar de guerra o que está acontecendo, neste mês de Janeiro de 2009, no Oriente Médio chega a ser sarcasmo. O que estamos presenciando é um massacre promovido pelo Estado de Israel contra uma parte do povo palestino, residente em Gaza.
Afinal o que é fato a prática de atos de terrorismo. No momento os números falam por si: 600 palestinos mortos, contra 5 israelense, incluindo a destruição por Israel de uma escola pertencente a ONU.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Auto referências

A assimetria do poder, que impede o exercício da democracia, não resulta apenas da concentração do capital. Porém, toda forma de burocracia é geradora de poder assimétrico.

Banco Central do Brasil é um exemplo prático de burocracia, que se exercita por meio de um conjunto de normas de difícil domínio dos verdadeiros titulares desta instituição: o povo.

A revolução cultural, na China, foi uma tentativa de liquidar o poder da burocracia do Partido Comunista. Criou, porém nova forma de poder assimétrico, através da Guarda Vermelha, amparado em um fundamentalismo armado e no culto à personalidade.

"NADA NO BOLSO OU NAS MÃOS"

A frase “nada no bolso ou nas mãos” que dá título a este trabalho serve como exemplificação simbólica de toda a influência do existencialismo sartreano na contracultura brasileira. No texto completo que consta no livro “As Palavras”, de Sartre, que inclusive é sua única descrição autobiográfica, ele diz que aprecia em sua própria loucura o fato de ela o proteger das seduções da elite. E continua, declarando que nunca se iludiu com o próprio talento, pois seu objetivo era tão-somente “salvar-se”. Nada no bolso ou nas mãos, pelo trabalho e pela fé. Sartre termina o trecho dizendo que sua opção não o colocava acima de ninguém, e quando diz que estava sem equipamentos, sem ferramentas, era o mesmo que dizer “nada no bolso ou nas mãos”. Em síntese, todo esse trecho se refere a uma doutrina básica do existencialismo, a afirmação de que o homem é lançado ao mundo sem prévia definição do que é ou será, pois nada trazemos ao mundo que possa definir o que, efetivamente, seremos. Isto é básico no existencialismo. E é uma idéia da qual a contracultura se apropriou. Sartre, no início do texto, fortalece a idéia de que a existência é construída passo a passo, e o que (ou quem) ele – ou qualquer pessoa – era (ou é), resulta de sua própria vivência, e não de algo que com ele tenha surgido no mundo. Quando Sartre diz que seu único negócio era “salvar-se” refere-se ao processo de definição (pessoal) da própria existência, ou seja, a missão de cada um em sua construção pessoal. Ainda, no final, nos relembra que quando defino minha existência, defino a de todos os homens, uma vez que um homem representa a todos os outros, conforme entendimento existencialista.”

sábado, 3 de janeiro de 2009

UMA EDUCAÇÃO PARA A FILOSOFIA NA HISTÓRIA BRASILEIRA

“(...)Preso à minha classe e a algumas roupas, vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera(...)”.
(Trecho de A Flor e a Náusea - Carlos Drummond de Andrade)

O desconforto intelectual e existencial de falar no significado da Filosofia da Educação no período contemporâneo encontra uma excelente síntese neste trecho de um poema de Carlos Drummond. Tomado pela angústia de um prisioneiro de si mesmo, o poeta se questiona sobre seus limites: devo seguir até o enjôo? Posso sem armas revoltar-me? Como romper esta prisão se “O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinação e espera?”.
Das bibliotecas colhemos toda sorte de reflexões e modelos conceituais que buscam retratar os caminhos para a educação.

“Preso à minha classe” inicio esta reflexão reproduzindo comentários sobre pontos de vistas desenvolvidos por alguns colegas em nossos diversos Fóruns de Filosofia e tentando, ao mesmo tempo, amenizar uma sensação de impotência perante a seguinte indagação: nós somos possíveis como educadores? Educar é adestrar? Educar é facilitar processos de emancipação?

Confesso que demorei mais do que o de hábito para avançar em minhas reflexões. E por uma razão elementar: eu não sei o que dizer. Ou melhor, sentia como falso (resposta burocrática) o caminho de minhas reflexões. E ainda sinto. O motivo reside em uma pergunta, para a qual não tenho resposta, qual seja: a educação é um processo verdadeiro, do ponto de vista de minhas crenças em valores como emancipação?
No início de minha carreira fui professor de História para cursinho pré-vestibular: tenho a convicção que meus alunos passaram a ter uma boa visão crítica da história, mas mais de 50% foi reprovado no vestibular. Então fomos para uma segunda etapa. Fizemos um contrato coletivo: durante 6 meses usando um modelão de um cursinho, famoso por sua habilidade em promover adestramento para passar no vestibular, repassei este modelo para os alunos. O índice de aproveitamento no vestibular foi bem elevado. Mais tarde encontrei diversos alunos, que haviam abandonado o curso, por profunda decepção com o sistema de ensino. Nunca mais lecionei para pré-vestibular.
Tratar do assunto Filosofia da Educação trouxe-me à lembranças estas experiências, para a quais não consegui elaborar internamente uma resposta legítima como já disse.
Todavia em minhas pesquisas fui costurando diversos retalhos e identificando pensadores, que a despeito de todas as dificuldades, ainda mantém uma esperança no papel da educação como recurso de transformação. Um texto de Lêda Dantas, intitulado EDUCAÇÃO E PROJETO EMANCIPATÓRIO EM JÜRGEN HABERMAS, contém no final do artigo um resumo interessante, que reproduzo abaixo.
Na perspectiva de Habermas, a educação deve contribuir para o projeto emancipatório e universalista. Este projeto é informado por um novo conceito de razão: a razão comunicativa. Essa é uma razão processual, que embora transcendente num sentido, ou seja, ultrapassa os contextos de vida e encontra a unidade na multiplicidade das vozes, situa todo o conteúdo no terreno do contingente. Isto significa que não há definição a priori da substância desse projeto. A razão comunicativa é fundamentalmente um procedimento, não podendo determinar conteúdos de antemão. A verdade do projeto de emancipação, então, estará sempre sendo submetida a uma crítica permanente nos contextos específicos, ainda que esse procedimento racional obedeça a princípios universais.
Habernas conseguiu superar, pelo menos em parte, o profundo pessimismo da Escola de Frankfurt. Pessimismo este fundado no desolamento da falta de alternativas para os modelos filosóficos que encantaram a esquerda até os anos 70. A idéia de emancipação como processo revolucionário mostrou-se uma quimera, ganhando corpo o desalento e desencanto por uma metodologia de educação que resgatasse os humanos do tédio e da “náusea” (“Preso à minha classe e a algumas roupas, vou de branco pela rua cinzenta” Drummond de Andrade).

Neste cenário o que pode o pesquisador bem intencionado? Reiterar que o capitalismo globalizado sucumbirá, enfim, vítima de suas contradições, abrindo um novo tempo, pela superação dialética da história, na versão mais elementar do marxismo? É uma utopia e por mais estranho que pareça a alguns e, por mais desconfortável para aqueles que preferiram “abandonar o barco”, nosso referencial continua sendo a nossa história. E é nesta história da jornada humana que nos inspiramos e buscamos referências no brilhante pedagogo Paulo Freire:

“(...)O movimento para a liberdade, deve surgir e partir dos próprios oprimidos, e a pedagogia decorrente será " aquela que tem que ser forjada com ele e não para ele, enquanto homens ou povos, na luta incessante de recuperação de sua humanidade". Vê-se que não é suficiente que o oprimido tenha consciência crítica da opressão, mas, que se disponha a transformar essa realidade; trata-se de um trabalho de conscientização e politização(...)”

Provavelmente uma das grandes dificuldades de examinarmos este papel da Filosofia da Educação como um espaço de reflexão crítica seja o fato de estarmos no “olho do furacão”. Estamos vivemos o próprio acontecer desta história, como relatamos seguindamente neste Blog.

Mas os contra-pesos da Economia Solidária continuam no horizonte da busca de respostas legítimas para estas questões. Esta é pelo menos a minha esperança, porque este é um campo de suposições e opiniões, onde nenhum certeza se sustenta.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Auto Citações

1 - Nem todo dogma é fundamentalista. Mas todo fundamentalismo é sempre dogmático.
2 - A assimetria do poder, que impede o exercício da democracia, não resulta apenas da concentração do capital. Porém, toda forma de burocracia é geradora de poder assimétrico.
3 - A Democracia dita representativa é um engodo. O representado não tem poder de controle sobre o seu representante, podendo apenas destituí-lo ou nomeá-lo pelo voto ou pela força. No cotidiano os representados desconhecem como e o que fazem seus representantes.
4 - A única forma de democracia real é a direta ou participativa. Por uma questão prática, não por princípios, é preciso sempre descobrir formas de aumentar a ação direta do representado sobre seu representante.
5 - Banco Central do Brasil é um exemplo prático de burocracia, que se exercita por meio de um conjunto de normas de difícil domínio dos verdadeiros titulares desta instituição: o povo.
6 - O Estado só se democratiza quando se expressa de forma simétrica com a sociedade civil.

Reflexões: juizos provisórios e o ceticismo

Vou propor uma entrada neste debate a partir de uma experiência pessoal. Minhas leituras sobre o dogmatismo e sobre o ceticismo suscitavam, à medida que lia dúvida e mais dúvidas, de tal forma eu não conseguia me satisfazer com uma determinada proposição. Então eu me deparei com uma definição de um teólogo chamado David Steindl-Rast, que expressou suas idéias em um livro intitulado “Pertencendo ao Universo – Exploração das Fronteiras da Ciência da Espiritualidade”, escrito em parceria com o físico Fritjof Capra (Editora Cultrix, São Paulo, 1991). O dogma seria um juízo assumido como verdadeiro, até o momento que fortes evidências pusessem este juízo em questão. Neste caso o dogmatismo seria antes uma estratégia, para permitir a elaboração de novos conhecimentos. Descartes, com sua noção de juízos provisórios para a moral, enquadra-se bem nesta vertente. Qual o lado sombrio desta visão: perdermos o momento de superação do dogma, gerando alguma forma de fundamentalismo. Mas aqui já podemos afirmar que nem todo dogmatismo é fundamentalista. De certo modo os empreendimentos humanos partem de alguma forma de certeza não questionada: isto vale para a ciência, para a experiência religiosa e para a vida cotidiana. Os axiomas são verdades assumidas de per si e nem por isto a matemática deixou de evoluir. Os insights científicos (forma de conhecimento direto, não mediado pela experiência) constitui, em determinado momento, juízos não sujeitos à dúvidas.Um cético, para ser coerente, com sua visão filosófica pode rejeitar juízos provisórios, uma vez que eles (os juízos) supõe alguma forma de conhecimento. Mas a própria rejeição é uma forma de juízo que pode ter forte carga dogmática. E isto nos leva a uma observação em círculo, até que o ceticismo se perceba como uma forma de fundamentalismo. Na história tais situações têm seu ápice numa forma de crise do modelo de conhecimento, também identificado como uma ruptura paradigmática.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

SINAIS DE UM NOVO TEMPO?



O editor deste Blog buscou a imagem que melhor representou um sinal de mudanças em 2008, apontando para novas perspectivas neste 2009, que hoje se inicia.
A imagem, ao lado, contém seu próprio discurso. Está muito longe de representar um ato de intolerância contra um chefe de estado, mas uma maneira, de resto simbólica, de dizer: acabou, assim não iremos tolerar mais!